Vamos salvar o Pará?

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A mostra de desarmamento do contratorpedeiro Pará (D27) ocorreu em 12 de novembro de 2008. O último navio da classe “Garcia” em operação, finalmente deu adeus, encerrando uma era na MB.

O CT Pará (ex-Albert David FF1050) foi adquirido com mais três navios da mesma classe, durante a gestão do almirante Henrique SABOIA (15/03/1985 – 15/03/1990).

A aquisição desses navios visou preencher a lacuna entre a entrada em serviço das corvetas classe “Inhaúma” e a desativação dos antigos contratorpedeiros das classes “Fletcher”, Allen M. Sumner” e “Gearing”, que eram militarmente quase inúteis.

Mais tarde, na gestão do almirante Ivan da Silveira SERPA, (08/10/92 – 01/01/95), foram adquiridas as fragatas Type 22 de procedência britânica, no lugar de fragatas americanas da classe “Knox”, anteriormente avaliadas.

A classe “Garcia” de escoltas oceânicas da US Navy entrou em serviço na segunda metade da década de 1960, derivada da classe “Bronstein”, com o objetivo de fazer frente à crescente ameaça submarina soviética. Eram navios que deslocavam no máximo 3.400t, atingindo velocidade de 27 nós, movidas por um sistema de propulsão a vapor com um só eixo, empregando caldeiras pressurizadas.

As caldeiras pressurizadas mostraram-se de difícil operação e manutenção na US Navy, por isso na classe seguinte (“Knox”), voltou-se a adotar caldeiras convencionais.

Os dez navios da classe “Garcia” foram feitos para serem mais baratos e rápidos de se construir, aproveitando inclusive os canhões Mk.30 de 5 polegadas dos antigos contratorpedeiros da Segunda Guerra desativados.

Mas com relação à guerra anti-submarino, para a qual foram projetados, eram o estado-da-arte na época e ainda hoje seriam plataformas eficazes, se não fosse a dificuldade crescente de manutenção dos seus equipamentos.

O melhor sonar da Esquadra

O CT Pará tinha o melhor sonar da MB e com maior alcance (20km normal e 35km máximo), o AN/SQS-26, pai do AN/SQS-53 padrão da US Navy, com capacidade de “zona de convergência” e “salto de fundo”.

Tinha também um lançador óctuplo de foguetes anti-submarino ASROC, com alcance de 10km. A MB chegou a nacionalizar os motores dos ASROC e a lançar vários foguetes em exercícios. Com o fim do Pará, a MB não conta mais com um armamento anti-submarino embarcado, de longo alcance para quaisquer condições meteorológicas e reação rápida, já que as fragatas classe “Niterói” também perderam os mísseis Ikara na modernização.

O navio foi equipado também inicialmente com um convôo e hangar para operar um drone anti-submarino DASH, que depois foi usado para operar um helicóptero dentro sistema LAMPS. No Brasil, o Pará embarcava um helicóptero Super Lynx ou Esquilo.

Os navios da classe “Garcia” foram importantes para a Marinha do Brasil na formação de oficiais e praças. Não sabemos se a MB soube aproveitar todas as capacidades do sonar desses navios, mas com certeza, eles foram importantes para a evolução da doutrina de guerra anti-submarino em nossa Marinha.

A saída de serviço do Pará encerrou um ciclo na história dos navios da Marinha do Brasil, ficando esta pela primeira vez, em 88 anos, sem um contratorpedeiro integrado à Esquadra.

Com a desativação do CT Pará, seu destino natural seria ser vendido como sucata ou ser usado como alvo em exercícios de tiro. Mas um navio como esse merece um destino mais glorioso, para preservar a memória e difundir a mentalidade marítima e naval no País.

Temos esperança de que empresas da área marítima e/ou de Defesa se engajem na preservação do CT Pará como museu flutuante, juntamente com o Governo do Estado do Pará.

NOTA DO BLOG: Repetimos a seguir o comentário feito pelo nosso amigo e colaborador Luiz Brazil, para a campanha de transformação do CT Pará em navio museu:
“Reitero, aqui, o meu pedido para que intensifiquem mensagens ao Vice-Governador do Pará, ODAIR CORRÊA (amigo da Marinha e Comendador do Mérito Naval), para que ele envide esforços junto à Governadora ANA JÚLIA CAREPA, também Amiga da Marinha, no sentido de transformar o já desativado Contratorpedeiro “PARÁ” D 27 em Navio-Museu.”

[email protected]
FAX: (91) 3201 – 3739 / 3201 – 3753

Nossos leitores também podem enviar e-mail à Diretoria do Patrimônio Histórico da Marinha:
dphdm30[email protected] ou [email protected]

Vamos salvar o Pará?

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