quinta-feira, maio 26, 2022

Saab Naval

Para o ‘The Guardian’, HMS ‘Astute’ é muito lento

Destaques

Guilherme Poggiohttp://www.naval.com.br
Membro do corpo editorial da revista Forças de Defesa e sites Poder Aéreo, Poder Naval e Forças Terrestres

 

O bilionário submarino HMS Astute da Royal Navy tem sido assolado por problemas de projeto e de construção que levantaram dúvidas sobre o seu desempenho e sua segurança, informou o jornal The Guardian em seu site. Segundo a matéria, o submarino não pode atingir a sua velocidade máxima de projeto.

Até o momento o navio, o mais sofisticado já produzido para a marinha do Reino Unido, não pode realizar fugas em alta velocidade para escapar dos seus perseguidores – um requisito essencial para um navio da sua classe.

Ele também seria incapaz de acompanhar o mais recente navio-aeródromo da Royal Navy, que poderá navegar a mais de 30 nós. Uma fonte do Guardian disse que o navio possui “um motor V8 com uma caixa de transmissão tipo Morris Minor”.

O ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que o Astute apresentou alguns problemas durante os testes de mar. “É normal que a primeira unidade de uma classe apresente áreas onde modificações são necessárias e estas são então incorporadas pelos navios seguintes,” informou um porta-voz.

Embora o Ministério da Defesa informe que não pode discutir a velocidade dos submarinos, o porta-voz disse que o Astute “proporcionará uma capacidade notável para as próximas décadas”.

No entanto, se os problemas de propulsão persistirem, eles representarão um dos maiores desastres que o Ministério da Defesa já teve de lidar, e, potencialmente, deixará o desempenho da frota muito aquém das tarefas para as quais ela foi projetada.

John Large, um engenheiro e analista de segurança nuclear independente, disse: “Estes problemas são muito mais significativos do aqueles que se esperam durante a construção de uma nova classe de submarino nuclear. O que mais preocupa é o aparente descompasso entre a planta do reator nuclear e o sistema de turbina a vapor, colocando a velocidade do submarino abaixo das expectativas e ao alcance de armas anti-submarinas.”

O secretário substituto do Defesa, Jim Murphy, disse que os ministros “devem ser claros sobre o impacto de quaisquer problema com este programa essencial tanto em tempo como em custo”.

Mesmo que o navio ainda tenha que dar início ao seu serviço ativo, o Astute – quatro anos atrasado e R$ 2 bilhões acima do orçamento – sua entrada em operação foi cercada de polêmica desde que foi encomendado há 15 anos. Em 2010, encalhou perto de Skye, uma calamidade que levou o seu comandante a ser removido do posto. No ano passado, um oficial superior foi morto a tiros por um membro da tripulação.

O Guardian soube que durante exercícios realizados ao longo da costa leste dos Estados Unidos, um tampão de um dos dutos que leva água salgada para o reator apresentou um vazamento. Um compartimento foi inundado, forçando o comandante a emergir imediatamente. Embora não tenha causado vítimas, a investigação mostrou que o tampão foi produzido com uma liga metálica errada, mesmo que os registros da construção demonstrem que o metal correto tenha sido usado.

“O fato do tampão ter falhado já é uma notícia ruim, mas o mais preocupante é que não há como saber se o submarino possui outras peças como estas a bordo,” informou uma fonte. “O teste de qualidade existe para garantir que este tipo de coisa não ocorra, mas aconteceu. Então, o que mais pode estar instalado a bordo que nós não temos conhecimento? É impossível de saber. Eles instalaram o tampão errado e passou.”

O Ministério confirmou o problema. “Durante testes no ano passado, o HMS Astute apresentou um vazamento que foi imediatamente isolado e o submarino retornou em segurança para a superfície,” disse um porta-voz na época.”A investigação demonstrou que uma peça não construída com a liga apropriada apresentou corrosão. Uma peças substituta foi empregada e o submarino seguiu com o seu programa.”

Alguns dos instrumentos que indicam o estado do reator nuclear também estariam comprometidos, informou o Guardian. O chumbo empregado deve ser um “metal virgem”, proveniente de grandes profundidades, de forma que não carregam cargas elétricas que possam gerar uma leitura falsa.

No entanto, o chumbo empregado no Astute não era dessa qualidade, o que significa que os instrumentos apresentam leituras incorretas. Usar um metal impuro pode ter também um efeito em cadeia durante a manutenção – o metal com carga elétrica cria uma radioatividade crescente e persistente dentro do compartimento do reator.

Uma fonte disse que este descuido é “imperdoável”. Inicialmente o Ministério da Defesa negou que havia um problema com os instrumentos do reator. No entanto, em seguida foi confirmado que um metal errado havia sido usado – mas os testes mostraram que a precisão das leituras não foram afetadas, insistiram. Além disso, alguns dos quadros de distribuição de pequenos computadores do Astute deveriam ter sido colocados seis polegadas de distância um do outro, mas apresentaram apenas uma polegada de distância.

Eles não eram compatíveis com normas de segurança da marinha ou civis e agora estão tendo de ser movidos ou substituídos. O Ministério da Defesa diz que este trabalho já foi concluído.

De todos os problemas, aqueles relacionados com propulsão, que são os mais sensíveis. O Ministério da Defesa afirmou que o Astute seria capaz de fazer 29 nós, mas ao Guardian foi dito que isso não é possível.

Ao invés de construir uma nova planta nuclear para Astute, o Ministério da Defesa optou por usar o reator de água pressurizada 2 (PWR2) dos submarinos da classe Vanguard, muito maiores. O reator foi conectado com um sistema de turbina a vapor baseado no modelo utilizado pelos antigos submarinos da classe Trafalgar.

“Este sempre apareceu como um problema possível, e foi o que aconteceu”, disse uma fonte. “O PWR2 foi feito para um navio muito maior, e o Astute teve que ser projetado em torno dele. Isso pode ter gerado corte de custos, mas tem causado problemas. A potência do reator não se traduz em movimento para a frente.”

Large acrescentou: “Muito se esperava da classe Astute, mas essas falhas que ocorreram durante a sua entrada no serviço ativo, particularmente no sistema de propulsão, e o seu desempenho abaixo do projetado, sugerem que tudo partiu de um grande improviso feito a partir de algumas peças mal ajustadas – A verdadeira preocupação aqui é se essas incompatibilidades ou similares irão comprometer a segurança nuclear pondo em risco a tripulação e do público em geral”.

FONTE: The Guardian (tradução e adaptação do original em inglês pelo Poder Naval)

FOTO: MoD UK, COLABOROU: Luiz Neto

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cristiano.gr

Que aqueles que sempre criticam a indústria de defesa nacional leiam todo este texto que é apenas um dos muitos exemplos que existem pelo mundo afora de projetos bonitos no papel que se traduzem em produtos defeituosos que não correspondem as exigências estabelecidas. Do mesmo modo, consomem muito mais que o previsto, pois somam-se os gastos em correções e, algumas vezes, as autoridades e engenheiros têm de reconhecer o fracasso e a inviabilidade após investir muitos recursos. No caso do astute, conforme o jornal, soma-se ainda um problema muito apontado em obras onde há indícios de desvio, especificamente o chumbo… Read more »

Giordani RS

E isso que os ingleses já são ‘experts’ em operação com esse tipo de nave.
Estourou o orçamento em R$2bi.
Agora é torcer para que ‘de’ tudo certo com um tal SubNuc de uma certa ‘putênfia’ sulamericana…

Marcos

Se os britânicos, com grande tradição naval, engenheiros e dinheiro de sobra estão encontrando dificuldades, imaginem quando o Maior Império da História da Humanidade e de todas as Galáxias Siderais começar a fabricar a primeira peça de seu submarino, o Grande Elefante Branco das Profundezas Abissais – o Moby Dick: os custos de desenvolvimento e construção irá passar de US$1 trilhão e se um dia ficar pronto talvez seja o primeiro submarino da história a não afundar.

daltonl

Os britanicos ficaram muitos anos sem construir um novo submarino, o ultimo SSN foi comissionado há mais de 20 anos atrás e o ultimo SSBN
comissionado em 1999 então ajuda a explicar alguns problemas surgidos durante e após a construção do HMS Astute.

Interessante que o texto, mesmo o original em ingles menciona que o futuro NAe “poderá navegar a mais de 30 nós”…ou é informação nova ou está errado.

daltonl

Será que de fato é uma exigencia tão grande assim para a RN um SSN acompanhar um NAe, mesmo que este quando em velocidade máxima alcance menos de 30 nós que será o caso dos novos QEs ? A US navy abandonou esta pratica já que com “apenas” pouco mais de 50 SSNs não há nenhum sobrando para esta tarefa e com apenas 7 Astutes no futuro proximo, será dificil manter mais do que 2 sempre no mar ainda mais se com frequencia um for enviado para patrulhar as Falklands e adjacencias. O “Guardian” está referindo-se a vários problemas, mas… Read more »

CVN76

Dalton

Quase sempre um SSN acompanha um NAe; mas as vezes eles não partem juntos das bases…..na maioria das vezes eles se encontram depois……e agora com a paranóia do terrorismo; os movimentos de SSNs quase não são mais publicados..

Mas podes crer; onde tiver um CVN terá um SSN por perto…ainda mais quando em comissão no exterior

Clésio Luiz

O caso do chumbo deixa evidente que os britânicos tem um sério problema administrativo nas mãos. De nada adianta os engenheiros projetarem corretamente o submarino se os materiais que são aplicados no mesmo não estão de acordo com as especificações. Muita gente deve estar envolvida nesse caso, e em se tratando de um submarino nuclear, empregar os materiais errados até no reator não merece outra palavra a não ser sabotagem. Eu não conheço as leis britânicas, mas para mim a punição poderia muito bem ser a forca, pois os danos que uma falha grave em um submarino desses, pode causar… Read more »

GUPPY

Jamais imaginei ler algo assim referente a Royal Navy, principalmente em se tratando de Submarino Nuclear. Sinceramente, não tem cabimento. Isso é um absurdo! Não rima com a segurança, a tradição, a confiabilidade britânicas, particularmente na construção naval. Acredito que os alemães, japoneses, suecos e americanos jamais pisariam na bola dessa forma.

Abraços

José da Silva

Perda de escala. Perderam o conhecimento, tem muitas firmas novas na area e essa formas novas de gerenciar (modo aviazinhum ON) dão merda mesmo. Muito gerente e poucos Engenheiros, Tecnicos e Operarios da nisso. rs
ro ralo
Agora dependem dos EUA até para seguir em frente e os Astutes estao tendo uma boa ajuda americana para entrar em serviço porque senao nem isso.

Temos os nosso exemplo. Perdemos o ritmo na construcao naval e foi tudo pro ralo. Agora estamos fazendo PSV (até a Mongolia deve fazer e mandar para o mar por trem) e achamos o maximo.

paulsnows

Os ingleses já tiveram problemas para projetar e construir os Astutes e precisaram de ajuda americana, se não o navio não sairia.
A RN tem terceirizado muita coisa ultimamente. A verba está baixa, as responsabilidades são muitas e os cortes acontecem.
As vezes, a economia é a base da porcaria.

giltiger

Isto se CHAMA CRISE… É o ocaso da Royal Navy, afundada pela ganância dos fornecedores e com a CLARA CONIVÊNCIA de alguns militares responsáveis pelo recebimento e fiscalização da construção… Boa notícia para os HERMANOS ARGENTINOS, mais 4 ou 5 décadas destes descalabros eles recuperam as Malvinas… Um submarino gambiarra desde o projeto Frankenstain, reator grande e turbina pequena é igual a vazamento e eixo empenado… Agora peça com material ERRADO e com controle tido COMO CERTO… Putz o submarino é uma bomba prestes a um desastre… Tenho pena da tripulação do Astute… No caso o Astuto foi o construtor… Read more »

Ozawa

O que diria Winston Churchill, além de 1º Ministro, 1º Lorde do Almirantado por 2 vezes, amante da Royal Navy…, se vivesse nesses dias: “Nunca tantos temeram tanto por tão poucos…” Agora, demos um desconto, nem tanto à superfície, nem tanto ao leito do mar, a Royal Navy tem “história pra afundar”… Ainda tem que errar muito, gastar toda sua centenária e gloriosa história, ser um marinha ineficiente e inóqua em combate pra chegar ao fundo. Agora, por isso mesmo, lá no Reino Unido, Marinha é coisa séria ! É conversa de jornal, de ‘pub’, de esquina, porque lá: “HÁ… Read more »

daltonl

Oi Franz ! Não tenho duvida que sempre tem um SSN “de olho” em um NAe quando este encontra-se no Teatro de Operações, mas, este SSN está operando independemente e não sob ordens do Contra Almirante que comanda o “Carrier Strike Group” e normalmente não mais do que tres encontram-se com a V Frota todo o tempo! SSNs não estão mais “amarrados” a NAes muito menos aos extintos ESG Expeditionary Strike Groups, até porque não há SSNs suficientes…um grande numero está em manutenção, ou então no porto “descansando” após 6 meses em média no mar, ou então treinando ou em… Read more »

Moriah

o astute é estranho, chega ao nível dos soviéticos em desenho… tb deveriam ter empregado uma turbina maior e mais potente…

essa é uma dura lição que a MB tem que levar em conta qdo fizer seu SSN. se eles com experiencia de anos fizeram m… no astute, imagine o BR sem nenhuma?

agora só falta os franceses serem mais ligeiros com seus barracuda. ai mais um motivo de chacota dos anglos pelos francos.

Mauricio R.

É como o Daltonl disse, ficaram mto tempo sem fazer e perderam o jeito.
Agora imagina quem nunca fez, nada em engenharia nuclear, se meter a faze-lo…
Vão rezando, desde já!!!

Soyuz

Os problemas do HMS Astute ao menos saem nos jornais, são debatidos no parlamento. Se os britânicos perderam muito da sua capacitação em engenharia naval, fico imaginando os russos, chineses como “andam”, com a certeza de que nada lá sai no jornal ou é debatido publicamente. Quanto ao caso brasileiro, temos a doutrina do “Basta ter”. Basta ter 54 AMX, pouco importa se eles não disparam AAM, 20% deles estão em cavaletes sem viabilidade econômica de recuperação das células. Basta ter 23 A-4, pouco importa se nunca se conseguiu ter mais do que 4 ou 5 em condições de vôo.… Read more »

MO

eh EK, igualzim aqui uds politico interessadissemos no desenvolvimento da defesa nassionau …

Soyuz

Esta utilização de reatores comuns a SSN e SSBN como fizeram os ingleses com o HMS Astute é absolutamente comum e necessária para se manter os custos aceitaveis. Rússia: Reator OK-650V, 190MW de potencia térmica, classes Borei ,Yasen e Akula (entre outras). França: Reator K-15, 150MW de potencia térmica, classes Triomphant e Barracuda, além do Nae Charles de Gaule. No caso Frances há de se pesar que a distância de tamanho entre o SSBN e SSN é maior do que no caso inglês (14 335 ton x 4765 ton) contra (15.900 ton x 7400 ton), ou seja, quem em tese… Read more »

HMS TIRELESS

Giba: (Editado). Embora esses problemas sejam de fato constrangedores, é admirável como eles são trazidos à tona e discutidos dentro do Estado Democrático de Direito que caracteriza o Reino Unido. E tudo leva a crer que o problema será resolvido e, como mesmo afirmou o engenheiro-chefe de submarinos da RN, o Astute será uma nave incrível. Ademais é cediço toda a ginástica verbal que você iria fazer para justificar se esse mesmo problema houvesse ocorrido com uma nave construída por uma magnífica semiestatal gaulesa, ou um estaleiro russo pertencente a algum amigo de Vladimir Putin, ou então por uma gloriosa… Read more »

Comandante Supremo

Não sei o por que Brasileiro tem que ficar se importando com malvinas ou Falklands não interessa o nome, e problema unica e exclusivamente Argentino e Britânico, vai fazer diferença se tiver na mão de um ou de outro pro brasil nenhuma como tem uma frase popular “Quero que se exploda”

HMS TIRELESS

Comandante Supremo:

Você está coberto de razão. Em tese a coisa devia ser assim. Contudo os delírios paranóicos de “Brasil – PuTênfia”, agravados pela descoberta do pré-sal que ninguém sabe se vai haver dinheiro ou segurança jurídica para explorá-lo, enxergam perigos em todo lugar contra o “gigante pela própria natureza”, devaneios estes insuflados pelo clubinho de viralatas chamado UNASUL

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