QG Airsoft

Em sua 13ª edição, o Simpósio de Pesquisa Operacional e Logística da Marinha (SPOLM 2010), organizado pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) e pela Diretoria de Abastecimento da Marinha (DAbM), vai reunir nos dias 12 e 13 de agosto de 2010, na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, representantes das Forças Armadas, dos órgãos de governo, do meio acadêmico e do setor produtivo, que atuam em atividades de Pesquisa Operacional e Logística. O intuito é promover o intercâmbio de informações e identificar sinergias para a execução de projetos de desenvolvimento de tecnologia nesses ramos do conhecimento.

O tema do SPOLM 2010 será “ A Amazônia Azul e os Desafios da Estratégia Nacional de Defesa”. Minicursos, palestras, workshops, mesas-redondas e apresentação de artigos científicos fazem parte da programação.

Áreas temáticas:

  • Análise Envoltória de Dados
  • Métodos de Apoio a Decisão Multicritério
  • Metaheurística
  • Programação Matemática
  • Otimização Combinatória
  • Teoria de Grafos
  • Simulação
  • Estatística Aplicada e Atuária
  • Otimização Estocástica
  • Logística e Transportes
  • Teoria dos Jogos
  • Gestão de Produção
  • Gestão da Qualidade

Programação – dia 12 de agosto:

  • 08:30 – 09:00 – Abertura e premiação dos melhores artigos
  • 09:00 – 09:45 – Palestra “O Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul”
  • Vice-Almirante Elis Treidler Öberg, Diretor de Sistemas de Armas da Marinha
  • 09:45 – 10:30 – Palestra “Dificuldades Logísticas na Exploração de Petróleo offshore” – Ricardo Albuquerque Araújo, Gerente-Geral da Unidade de Serviços de Transporte e Armazenamento da PETROBRAS
  • 11:00 – 11:45 – Palestra “Aplicações de Pesquisa Operacional para Defesa da Amazônia Azul: Aprendizado Ótimo – Como Coletar Dados Eficientemente na Era da Informação” – Prof Dr. Hugo Passos Simão, da Princeton University – EUA
  • 11:45 – 12:30 – Palestra “Programa de Desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear” – Almirante-de-Esquadra (Ref) José Alberto Accioly Fragelli, Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear
  • 14:30 – 18:00 – Sessões Temáticas
  • Minicursos “Desenho e Análise de Experimentos” e “Aprendizagem de Máquinas”
  • Palestra “Apoio à Decisão Estratégica”

Programação – dia 13 de agosto:

08:30 – 11:50 – Sessões Temáticas

  • Minicurso “Modelagem em Simulação”
  • Workshops “Gerenciamento Estratégico” e “Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos”
  • Mesa Redonda “Análise Operacional de meios: Perspectivas e Desafios Futuros”

14:00 – 16:15 – Sessões Temáticas

  • Minicurso “Desenho e Análise de Experimentos”
  • Palestras “Raio Espectral e Grafos Hamiltonianos” e “Pesquisa Operacional no Desenvolvimento da Rede de Sensores Sem Fio”

16:15 – Coquetel de encerramento

Acesse o site do XIII SPOLM http://www.casnav.mar.mil.br/spolm/ e confira toda a programação.

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No dia 4 de agosto, na Diretoria-Geral do Material da Marinha, foi assinado o Termo de cessão de uso do terreno para construção de um Estaleiro e de uma Base Naval em Itaguaí (RJ).

O documento foi assinado pelo Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante-de-Esquadra Luiz Umberto de Mendonça, e pelo Presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro, Jorge Luiz de Mello.

O Termo é fruto de um criterioso trabalho e de ações empreendidas pela Diretoria de Administração da Marinha no processo de aquisição do terreno.

A assinatura do documento é um grande passo para a concretização do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, uma vez que permite o uso imediato do terreno para as instalações da Marinha.

Sob a coordenação da Diretoria-Geral do Material da Marinha, o Programa abrange a construção de um Estaleiro, uma Base Naval, uma Unidade de Fabricação de Estrutura Metálica, quatro submarinos convencionais e um submarino com propulsão nuclear.

No evento, estavam presentes o Coordenador-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, Almirante-de-Esquadra (Ref) José Alberto Accioly Fragelli; o Diretor de Administração da Marinha, Vice-Almirante (IM) Indalecio Castilho Villa Alvarez; e o Diretor de Obras Civis da Marinha, Vice-Almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão.

Em cerimônias presididas pelo Contra-Almirante Liseo Zampronio, Comandante da Força Aeronaval, aconteceram nos dias 9, 23 e 30 de Julho, as passagens de Comando dos Esquadrões HA-1, HI-1 e HS-1, respectivamente.

1° Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (HA-1)

No dia 09 de julho, foi realizada a Cerimônia de Transmissão de Cargo de Comando do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (HA-1), ocasião em que o CF André Novis Montenegro transmitiu o cargo ao CF Fábio Müller Vidal.

1° Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1)

No dia 23 aconteceu a passagem de comando do 1º Esquadrão de Helicópteros de Instrução (HI-1), na qual o Capitão-de-Fragata (FN) Mauro Dias Villa passou o comando ao Capitão-de-Fragata Fábio Angelo de Araujo.

1° Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino (HS-1)

E no dia 30, assumiu o Comando do 1° Esquadrão de Helicópteros Anti-Submarino (HS-1), o Capitão-de-Fragata Claudio Grilli, substituindo o Capitão-de-Fragata Rogério de Oliveira Miranda, que assumirá o cargo de Chefe-do-Estado-Maior do Comando da Força Aeronaval.

NOTA do EDITOR: Desejamos boa sorte aos novos Comandantes e o nosso Bravo Zulu aos Comtes. Montenegro, Villa e Rogério Miranda!

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Francisco Góes

Indústrias brasileiras que produzem máquinas e equipamentos, motores, sistemas de propulsão elétrica e outros bens vão participar do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), acertado em 2008 entre Brasil e França, orçado em 6,7 bilhões. A nacionalização de partes e peças das embarcações está prevista em contrato, assim como a exigência de transferência de tecnologia da França para o Brasil. Um exemplo de parceria nessa área é o da Saturnia Sistemas de Energia, que assinou acordo com o governo francês para produzir as baterias dos submarinos para a Marinha brasileira.

Indústrias brasileiras que produzem máquinas e equipamentos, motores e sistemas de propulsão elétrica, compressores e baterias, entre outros bens, começam a identificar oportunidades que vão surgir com o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), acertado em 2008 entre Brasil e França. Responsável pelo programa, orçado em 6,7 bilhões, a Marinha do Brasil está avaliando o que as empresas poderão produzir localmente. As indicações até agora são favoráveis, embora ainda existam dúvidas, em alguns casos, sobre o processo de transferência de tecnologia.

A análise recai sobre as condições para se produzir no Brasil determinados componentes e equipamentos para os submarinos cumprindo índices de conteúdo nacional. A nacionalização de partes e peças dos submarinos está prevista em contrato, assim como a exigência de transferência de tecnologia da França para o Brasil. Pelo acordo, os franceses terão de transferir tecnologia para determinadas indústrias fabricarem no Brasil itens usados nos submarinos. Seria uma espécie de compensação pelos pagamentos feitos pelo Brasil à França dentro do programa dos submarinos.

“O potencial da indústria brasileira é fantástico”, disse o almirante de esquadra José Alberto Accioly Fragelli, coordenador geral do Prosub na Marinha. Ele disse que a Marinha promoveu seminário do qual participaram empresas de diversos setores interessadas no programa. “Queremos ver quais os produtos que as empresas podem nacionalizar.” Há uma série de itens em que existe potencial de produção no mercado brasileiro, incluindo as baterias, os sistemas de propulsão elétrica, circuitos elétricos e os sistemas de periscópio, entre outros, e para os quais se prevê a transferência de tecnologia da França.

No início das discussões, imaginou-se, por exemplo, que não seria possível produzir um aço especial sem costura para tubos de torpedo, um dos armamentos que vão equipar os submarinos. Mas depois provou-se que é possível fazer esse aço no Brasil. Eduardo Fantin, diretor da Bardella Indústrias Mecânicas, disse que o Prosub poderá oferecer oportunidades para a indústria nacional na fabricação de componentes para os submarinos. Outra área de interesse são as instalações que darão apoio na construção, operação e manutenção das embarcações.

No total, o programa prevê a construção de quatro submarinos convencionais e o casco de um submarino de propulsão nuclear. E inclui a instalação de um estaleiro e de uma base naval em Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. O co-presidente da Jaraguá Equipamentos Industriais, Cristian Jaty Silva, disse que a empresa participou de processo de auditoria feito pela Marinha no qual se avaliou o potencial e o interesse de empresas nacionais no programa.

As empresas selecionadas poderão receber contratos de absorção de tecnologia e de nacionalização de componentes. A Jaraguá tem interesse em produzir partes estruturais dos submarinos e participar na construção do estaleiro. Umberto Gobbato, diretor superintendente da WEG Automação, afirmou que a empresa mantém entendimentos com a Marinha para fornecer sistemas de propulsão elétrica para os submarinos. “A WEG foi consultada pela Marinha para aumentar índices de nacionalização de sistemas de propulsão elétrica”, disse Gobbato.

O mais difícil a ser feito no Brasil é o sistema de armas, reconhece o almirante. Segundo Fragelli, o processo de transferência de tecnologia está em andamento. Este mês a Marinha vai mandar 26 engenheiros navais para a França, onde ficarão um ano e meio participando de curso da Marinha francesa para aprender a projetar um submarino nuclear. Em 2011, irão mais 20 engenheiros e, em 2012, outros 20. “Esse será o núcleo que vai receber toda a transferência de tecnologia que os franceses vão passar para o Brasil.”

Um exemplo de parceria na área de transferência de tecnologia é o da Saturnia Sistemas de Energia, com fábrica em Sorocaba (SP). A empresa assinou acordo com o governo francês pelo qual ficou acertado que produzirá as baterias dos submarinos para a Marinha brasileira. Luiz Antonio Baptista, presidente da Saturnia, disse que apesar do acordo existe preocupação de garantir a transferência de tecnologia para a fabricação das baterias no país.

Antes de conseguir fechar o acordo sugiram dificuldades para a transferência da tecnologia das baterias para a Saturnia, disse Baptista. A francesa DCNS, que tem contratos com a Marinha do Brasil para a construção dos submarinos, teria informado que a bateria original utilizada no submarino não era produzida por ela, mas por uma empresa americana. Essa empresa não tinha interesse em vender a tecnologia.

Depois de negociações que envolveram a Marinha, chegou-se a um acordo entre a DCNS e a Saturnia pelo qual o grupo francês se propôs a transferir para a Saturnia, a partir de uma unidade na Grécia que fabrica o produto para a Marinha francesa, o projeto básico da bateria. “Em setembro, uma equipe da DCNS e da empresa grega [chamada Sunlight] vem ao Brasil para discutir os detalhes do projeto”, disse Baptista.

Segundo ele, a empresa terá de investir entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões para ampliar a fábrica de Sorocaba e produzir as baterias dos novos submarinos. No passado, a Saturnia produziu as baterias para os submarinos convencionais do tipo IKL-209, desenvolvidos no Brasil a partir da importação de uma unidade da Alemanha. No acordo com a Alemanha, houve transferência de tecnologia e as baterias foram feitas no Brasil. Procurada, a DCNS disse que não iria comentar o assunto. Para o almirante Fragelli, é importante que a Saturnia obtenha a transferência de tecnologia da Sunlight.

Fragelli disse que o contrato de transferência de tecnologia é o mais importante (entre os acordos assinados com a França) porque, depois de capacitado, o Brasil não vai depender de outro país para fazer submarinos convencionais e nucleares. Ele reconheceu, porém, que transferência de tecnologia “não se recebe, mas se conquista”.

Entre especialistas, há quem acredite que um das dificuldades para a transferência de tecnologia estaria no fato de que o estaleiro que vai produzir os submarinos seja controlado pela DCNS. A DCNS, controlada pelo governo da França, formou uma sociedade de propósito específico (SPE) com a Odebrecht para a construção dos submarinos. A SPE, chamada de Itaguaí Construções Navais (ICN), tem como acionistas a Odebrecht, com 59%, e a DCNS, com 41%. A Marinha do Brasil, por meio da Emgepron, tem ação especial (golden share) que lhe dá direito de veto em determinadas decisões.

Um executivo que acompanha o acordo discordou. Disse que existe forte compromisso contratual na transferência de tecnologia por parte da França e acrescentou que quando o estaleiro for concluído a ICN será extinta passando o estaleiro a ser propriedade da Marinha. Fragelli disse que o estaleiro, desde o início do projeto, pertencerá à Marinha, inclusive porque será construído com recursos do Tesouro Nacional.

Marinha já liberou primeiro pagamento

A Marinha do Brasil começou a fazer os pagamentos do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). Uma entrada, no montante de R$ 1,5 bilhão, foi paga à DCNS, empresa francesa que tem controle estatal, e à Odebrecht. A DCNS tem contratos com a Marinha para construir os submarinos, os quais também envolvem a Odebrecht. A construtora é a responsável pela obra do estaleiro e da base naval dos submarinos. As instalações serão construídas em Itaguaí (RJ). A DCNS vai transferir tecnologia no projeto.

O almirante José Alberto Fragelli, coordenador do Prosub, disse que o investimento no estaleiro e na base naval é estimado em cerca de 1,7 bilhão, montante que será financiado com recursos do Tesouro Nacional. O dinheiro vai entrar anualmente no orçamento da Marinha e será pago mediante apresentação de faturas de serviços prestados a preços de mercado. Uma preocupação da Marinha é o contingenciamento de recursos do orçamento pela União, o que pode afetar o programa.

Na parte de responsabilidade da França, o Prosub conta com financiamento de cerca de 5 bilhões acertado com um sindicato de bancos liderado pelo francês BNP Paribas, disse Fragelli. Os quatro submarinos convencionais incluídos no programa serão entregues de forma gradativa.

A frota atual de submarinos da Marinha, de cinco unidades, continuará a operar. Fragelli disse que a ideia é fazer mudanças nos submarinos convencionais Scorpène a serem comprados da França. “Temos experiência de construção no arsenal da Marinha [no Rio] e estamos introduzindo modificações nesses submarinos, que serão maiores e mais compridos.”

Ele acrescentou que na parte de propulsão do submarino nuclear a França não pode transferir tecnologia. “Nenhum país transfere nada nesse campo.” (FG)

FONTE: Valor Econômico

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O almirante Julio Soares de Moura Neto, comandante da Marinha do Brasil, está visitando a Índia entre 8 e 13 agosto de 2010, a convite do Almirante Nirmal Verma, Comandante do Estado-Maior da Marinha da Índia.

Esta é a primeira visita do Comandante da Marinha do Brasil àquele país. Durante sua visita a Nova Deli, o almirante Moura Neto teve discussões com o almirante Nirmal Verma e fez contatos de cortesia com o Ministro da Defesa Rajya Raksha Mantri Shri MM Pallam Raju, o Comandante da Força Aérea, Air Chief Marshal PV Naik e com o Comandante do Estado-Maior do Exército, VK Singh.

As discussões entre os dois almirantes cobriram as áreas de interesse comum relativas à segurança marítima, operações e interoperabilidade, design e fabricação de navios e a operação que será realizada em setembro próximo entre as Marinhas do Brasil, Índia e África do Sul (IBSAMAR, segunda edição), ao largo da costa da África do Sul.

Este exercício trilateral foi iniciado como resultado do IBAS (Fórum de diálogo em nível ministerial Índia, Brasil, África do Sul).
Além de Delhi, o Almirante Moura Neto também irá visitar o Comando Naval Ocidental em Mumbai.

FONTE: Sandeep Unnithan, correspondente do Poder Naval na Índia / FOTOS: Indian Navy

NOTA DO EDITOR:  Uma aproximação maior entre as Marinhas do Brasil e da Índia poderá trazer bons frutos, já que a última possui vários programas interessantes, como o submarino nuclear próprio, o novo navio-aeródromo Vikrant (baseado no Cavour italiano) e o jato Tejas Naval.

Alana Gandra

Rio de Janeiro – A sustentabilidade da construção naval brasileira ainda depende de fatores como investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a formação de recursos humanos, atrelados às políticas para o setor. A observação foi feita pelo professor Floriano Pires, do Programa de Engenharia Oceânica da Coordenação de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele lembrou que a indústria naval no país se encontra em um momento de efervescência após a retomada das atividades, iniciada no ano 2000. Pires vai falar sobre o tema na 7ª Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore (Navalshore), que começa nesta quarta-feira (11) no Rio.

Segundo o especialista, ao contrário do mercado brasileiro, que está em processo de recuperação, o mercado naval internacional, que vinha aquecido nos últimos anos, com preços elevados, prazos longos de entrega, vive atualmente uma situação inversa. “Hoje, você tem preços em queda, muitos contratos sendo cancelados e os estaleiros tendendo a ficar vazios”. Pires analisou, contudo, que o cenário externo preocupante não afeta a indústria nacional, que está se baseando na demanda interna.

Diante da tendência de que os prazos continuem encurtando e os preços sejam reduzidos, ele sinalizou que a indústria naval nacional precisa, dentro de alguns anos, alcançar padrões de desempenho comparáveis aos internacionais. Caso contrário, “a comparação do desempenho nosso fica mais complicada”.

O professor defendeu um esforço de recuperação do desenvolvimento tecnológico e de formação de recursos humanos de forma integrada com as políticas de financiamento e de encomendas. “Hoje, a gente tem um aumento considerável de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, mas está muito descolado do processo de desenvolvimento da indústria propriamente dita”. É preciso, segundo ele, que esses investimentos sejam articulados com as estratégias da indústria, abrangendo também o estímulo ao desenvolvimento de fornecedores, entre outros itens.

Outra questão diz respeito à localização dos estaleiros, lembrou Pires, preocupado com a dispersão dos novos investimentos em termos geográficos. “A excessiva dispersão geográfica dos estaleiros, com um em cada lugar, será fator de desvantagem competitiva para o Brasil no futuro”.

Na avaliação do professor, os polos já existentes deveriam ser fortalecidos, com maior volume de investimentos também em novos estaleiros, mas preservando as mesmas regiões.

Floriano Pires aprovou a reativação do antigo Estaleiro Ishibrás, no Caju, zona portuária do Rio, que receberá o nome de Inhaúma, a partir de acordo firmado com a Petrobras, e a construção do estaleiro da Marinha em Itaguaí, para construção de submarinos nucleares. “É muito importante a recuperação do Ishibrás”, destacou. O estaleiro foi um dos mais bem estruturados do setor na década de 70, quando a indústria naval viveu seu apogeu.

Apesar da retomada, Pires admitiu que a indústria naval no Brasil ainda tem custos altos para a construção de navios, em comparação a concorrentes internacionais. Isso se deve, na sua opinião, ao desempenho da indústria e a questões como produtividade. “Não é uma questão que se resolva com ajustes legais”, apontou, referindo-se à carga tributária. Acrescentou que “é preciso melhorar o desempenho, formar gente, ganhar escala, continuidade. São questões industriais e esse processo demora alguns anos para ser superado”.

FONTE: Agência Brasil

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Problemas e desequilíbrios na infraestrutura, gargalos e nós na logística e pesada burocracia. Esse diagnóstico não é de hoje, mas vem se acirrando com a rápida expansão econômica. “Faltou alguém dizer que o Brasil cresceria como está crescendo e que o mundo compraria como vem comprando”, diz Reinaldo Moura, fundador e diretor do Grupo IMAM, especialista em gestão industrial e técnicas ligadas a ela, como qualidade e produtividade, logística, movimentação, armazenagem e embalagem de materiais, entre outras.

Para ele, o impacto dessas deficiências é visível na dificuldade de escoamento da produção, que, nos últimos anos, vem se multiplicando. “Produzir é relativamente fácil. O problema é ver-se diante de filas de navios e caminhões nos portos”, diz. Pior, segundo ele, “é que esses problemas entram numa reação em cadeia cujos resultados são custos elevadíssimos.”

Um navio parado à espera para atracar, dependendo da época do ano, pode custar, por exemplo, entre US$ 30 mil e US$ 80 mil por dia. E eficiência nesse setor, afirma Moura, se mede pelo menor tempo de permanência no porto. Esses e outros problemas de infraestrutura em aeroportos, rodovias e ferrovias fizeram com que os custos logísticos no Brasil consumam anualmente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Secretaria Especial de Portos (SEP). Nos Estados Unidos, que estão longe de ser exemplo em logística, como a Holanda, Bélgica ou a Alemanha, o custo é de 8% do PIB.

Embora o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estime que os investimentos em portos, ferrovias e transporte rodoviário cheguem a R$ 76 bilhões nos próximos três anos, há uma série de fatores que precisam ser contornados para a concretização efetiva. Para o setor portuário, que é responsável por 75% a 85% do total das exportações e das importações brasileiras, em termos de valor, o banco acredita que R$ 14 bilhões serão direcionados. Mas esses recursos parecem não ser suficientes.

O Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) avalia que serão necessários pelo menos R$ 43 bilhões para atacar os gargalos. E apenas R$ 10 bilhões, ou cerca de 23% desse montante, estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ou seja, faltam R$ 33 bilhões, montante que terá de ser desembolsado pela iniciativa privada. “Precisamos de segurança jurídica, de menos burocracia e da não interferência política no setor”, diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP).

O Ipea avalia que são necessárias novas instalações portuárias, além de acessos terrestres aos terminais. Afirma ainda que há urgência de espaços para movimentação de cargas, dragagens, sistemas de segurança, sinalização, saneamento e eletrificação dos portos.

Em 2009, os portos movimentaram 760 milhões de toneladas entre exportações e importações, 70% acima do apurado dez anos antes, de acordo com a ABTP. A estimativa para os próximos quatro anos é movimentar pelo menos 1 bilhão de toneladas por ano. Esse crescimento pode ser afetado pela carência de acessos rodoviários e ferroviários. Estimativas do Ministério da Agricultura apontam que 20% da safra de grãos (mais de 20 milhões de toneladas) são embarcados em portos distantes dos locais de produção.

Para reduzir em parte os custos logísticos para pelo menos 10% do PIB, a SEP elaborou, em 2007, o Plano Nacional de Dragagem (PND), que receberá R$ 1,6 bilhão do PAC. “Trata-se de um dos maiores programas de dragagem do mundo, mas deveria estar muito mais adiantado”, diz Manteli, da ABTP.

O PND deve receber R$ 1 bilhão do PAC 2, parte de um total de R$ 3,78 bilhões destinados a obras gerais em portos. Entre os projetos está o da ampliação do Porto de Santos, orçado em R$ 1 bilhão. O investimento permitirá dobrar a capacidade do porto.

Indagado sobre como as empresas estão enfrentando essas deficiências e gargalos em logística – responsável por prover infraestrutura necessária, equipamentos e informações para poder escoar a produção e, claro, exportar parte dela – Moura, do IMAM aponta três saídas. Primeiro, antecipar as necessidades para não interromper a produção. Depois, construir mais e maiores armazéns e centros de distribuição. E, finalmente, investir em equipamentos e sistemas para administrar o excesso de produtos.

FONTE: Valor / Vladimir Goitia

O Brasil tem quase 8 mil quilômetros de costa e o pré-sal pode ser uma grande promessa econômica, mas a ciência do mar, no país, ainda engatinha na praia.

Não há recursos humanos: em 2008, 673 profissionais foram formados na área –a maioria engenheiros de pesca e oceanógrafos. Em comparação, ao ano o país forma cerca de mil físicos, mais de 7 mil nutricionistas e mais de 100 mil bacharéis em direito.

“O maior problema, de longe, é a falta de gente. Dinheiro não falta”, diz Carlos Schettini, da Universidade Federal do Ceará.

Apesar da variedade de temas da área, que abrange desde as correntes marinhas, passa pela composição química dos oceanos e chega aos organismos que vivem neles, não existem também grandes congressos científicos nacionais sobre ela.

Não há, aliás, sequer uma sociedade de porte que una os cientistas. Além disso, não existe um instituto responsável por coletar dados no mar que sirvam de referência. “Nossas séries temporais são muito pequenas, é muito difícil achar uma série com dados de um período maior do que 10 anos”, diz Ruy Kikuchi, oceanógrafo da Universidade Federal da Bahia.

“Precisamos de uma Noaa. Ou um Serviço Geológico do Brasil para o mar, um Serviço Oceanográfico Brasileiro.” A Noaa é a agência americana que monitora oceanos e atmosfera. Entre mudanças de nome, tem 203 anos –e, então, séries históricas de balançar coração de cientista.

Para os cientistas, a pequenez das ciências do mar pode ter causas históricas no país, que teria tradição mais continental do que marítima. Eles elogiam o papel da Marinha no levantamento de dados oceânicos, mas dizem que seria bom evitar que esses dados fossem militares –a Noaa, por exemplo, é civil.

“O Brasil comporta um instituto de pesquisa da Marinha, próximo de questões de interesse da Marinha, mas isso não significa não possamos ter uma agência civil”, diz Paulo Nobre, do INPE.

FONTE: Folha de São Paulo

FOTO DO ALTO: Navio Oceanográfico “Prof. W. Besnard”, via Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo. Segundo o site do Instituto, o navio foi construído em 1967, na Noruega, sendo o primeiro navio oceanográfico construído para a Universidade de São Paulo e uma importante plataforma de trabalho para as investigações oceanográficas. O Navio dispõe de equipamentos modernos de navegação e de amostragem oceanográfica remota, realizando muitos cruzeiros a cada ano. No passado, participou seis vezes dos cruzeiros do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR – 1983 a 1989).

FOTO DE BAIXO: Marinha do Brasil (Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel e o Navio Polar (NPo) Almirante Maximiano na vigésima oitava Operação Antártica (OPERANTAR XXVIII), iniciada em 19 de outubro de 2009.

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A Navalshore 2010VII Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore terá início nesta quarta-feira 11, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro (RJ). Esta será a maior edição do evento, com a participação de cerca de 350 empresas de 12 países.

A conferência que acontece paralelamente terá como temas principais as parcerias internacionais na indústria naval brasileira e o desenvolvimento da cadeia de fornecedores. Participarão destes dois painéis a Petrobras, Transpetro, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, BNDES, Caixa Econômica Federal, Sinaval, Abimaq e a Keppel Fels no Brasil.

A conferência terá ainda palestras abordando Sustentabilidade da construção naval brasileira, projeto hidrodinâmico de cascos e de sistemas de propulsão de navios, seguros e resseguros, Perspectivas da Industria Coreana sobre o Mercado de Construção Naval Brasileiro.

Já o evento paralelo “Negócios em 15 minutos” contará com 11 empresas-âncora. São elas a Transpetro, a Caixa Econômica Federal e os estaleiros Aliança, da Amazônia, Atlântico Sul (EAS), Cassinú, Eisa, Mauá, Rio Nave, STX Brazil e Superpesa.

A rodada visa aproximar empresas com perfil contratador, como estaleiros, e potenciais fornecedores de produtos e serviços destinados a navios, plataformas de petróleo e embarcações em geral. Realizado desde 2005, o evento é um grande sucesso da feira e contou, em 2009, com nove empresas-âncoras e 668 entrevistas realizadas.

Neste ano, uma novidade é a participação da Caixa Econômica Federal, que estreia na Navalshore. A instituição estará disponível para mostrar seu produtos aos interessados da cadeia produtiva da indústria naval e offshore.

A Navalshore 2010 tem os patrocínios da Transpetro, Jaraguá Equipamentos Industriais, Aveva e Sisgraph. A conferência tem os patrocínios da Caixa Econômica Federal, IRB Brasil Re e Brasolda.

O cadastramento para visitar a Navalshore, inscrever-se para o “Negócios em 15 minutos” ou para a conferência pode ser feito pela internet, no endereço http://navalshore.exponexion.com/Pages/Login.aspx

Veja a programação completa da conferência:

11 de agosto de 2010
Painel Parcerias internacionais na indústria naval brasileira

  • 14h – A Indústria Naval brasileira: situação e perspectivas
  • Palestrante: Ariovaldo Rocha – presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval)
  • 14h30 – A experiência da Keppel Fels no Brasil
  • Paletrante: Alceu Mariano – Institutional Relations Director – Keppel FELS Brasil S/A
  • 15h – BNDES – produtos e serviços para a indústria naval e offshore
  • Palestrante: Luiz Marcelo Martins Almeida, gerente do Departamento de Gás e Petróleo e Cadeia Produtiva
  • 15h30 – A demanda Transpetro
  • Palestrante: Arnaldo Arcadier – Gerente executivo do Promef (Transpetro)
  • 16h – Debates
  • 16h30 – Coffee break
  • 16h50 – Petrobras – Programa EBN
  • Palestrante:Rogério Fernandes Figueiró – Gerente Geral de Transporte Marítimo do Abastecimento-Logística da Petrobras
  • 17h20 Debates
  • 17h40 – Caixa Econômica Federal
  • Apresentação institucional: Edalmo Porto Rangel – Superintendente Regional Petrobras/BNDES
  • 18h10 – Debates

12 de agosto de 2010
Painel Conteúdo local – Desenvolvimento da cadeia de fornecedores

  • 14h – Ações de governo para o desenvolvimento da cadeia produtiva
  • Palestrante: Carlos Eduardo Macedo – Coordenador-Geral das Indústrias de Transporte Aéreo e Aeroespacial da Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
  • 14h30 – Financiabilidade da indústria naval – o papel da Caixa na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável
  • Palestrante: Júlio Cesar da Silva Costa – Gerente Regional da Caixa Econômica Federal
  • 15h – Demandas e ações da indústria frente à necessidade de crescimento da cadeia de fornecedores do setor de indústria naval e offshore
  • Palestrante: Cesar Prata – Presidente da Câmara Setorial de Equipamentos Navais da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)
  • 15h30 – Debates
  • 16h – Coffee break
  • 16h20 – Transpetro
  • Agenor Cesar Junqueira Leite- Diretor de Transportes Marítimos da Transpetro, apresentação institucional
  • 16h50 – Debates
  • 17h10 – “A Formação de Centros de Serviço como tendência no desenvolvimento da Indústria Naval Brasileira”
  • Palestrante: Heine Stuart Moura Quintão – Gerente de Comercialização de Blanks e Estampagens da Usiminas Mecânica
  • 17h40 – Debates

13 de agosto de 2010
Seguros e resseguros – Um olhar externo – Cenário futuro – Tecnologia

  • 14h – O setor de seguros e o mercado de construção naval no Brasil – Como é calculado o valor dos prêmios
  • Palestrante: Steven Weiss – Vice-Presidente; Mauricio Aguiar Giuntin – Superintendente Marine (Grupo Liberty Brasil)
  • 14h30 – Debates
  • 14h50 – Perspectivas da Industria Coreana sobre o Mercado de Construção Naval Brasileiro
  • Palestrante: Kim Doo Young, Diretor-Geral da KOTRA no Brasil (KOTRA – Korea Trade-Investment Promotion Agency)
  • 15h20 – Debates
  • 15h40 – Sustentabilidade da construção naval brasileira
  • Palestrante: Professor Floriano Pires – Programa de Engenharia Oceanica – COPPE – UFRJ
  • Departamento de Engenharia Naval e Oceanica – Escola Politecnica – UFRJ
  • 16h10 – Debates
  • 16h30 – Coffee break
  • 16h50 – Importância do projeto hidrodinâmico de cascos e de sistemas de propulsão de navios – estudos de casos
  • Palestrante: Carlos Daher Padovezi – Diretor do Centro de Engenharia Naval e Oceânica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT
  • 17h20 – Debates
  • 17h40 – A importância do Resseguro no Mercado de Construção Naval
  • Palestrante: Jose Farias de Sousa – Gerente Comercial do IRB Brasil Re
  • 18h10 – Debates

FONTE: Portos e Navios

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A história por trás de uma foto

Os Aviões T-34 da Armada da República Argentina e o Navio-Aeródromo Ligeiro ‘Minas Gerais’

Por: CC Mauro Olivé Ferreira (*)

As pessoas que visitam o Museu da Aviação Naval, localizado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), podem observar no 2º andar um quadro que mostra a foto de um avião Beechcraft T-34C-1 Turbomentor da Armada da República Argentina (ARA) executando uma arremetida sobre o convoo do lendário Navio-Aeródromo Ligeiro (NAeL) Minas Gerais, no ano de 1997.

Nessa foto, há uma dedicatória em espanhol do então Chefe do Estado-Maior da ARA, Almirante Carlos Alberto Marrón, ao então Ministro da Marinha do Brasil, Almirante Mauro César Rodrigues Pereira, que diz:  “Como testemunho da primeira operação realizada a bordo do NAeL Minas Gerais com aviões navais argentinos tripulados por pilotos navais brasileiros. Buenos Aires, 22/12/1997”.

Segue abaixo a história por trás desta singela, porém significativa lembrança.

Naquele ainda não tão distante ano de 1997, a MB enviou para a Armada da República Argentina (ARA) a terceira turma de aviadores navais que cursariam a Escuela de Aviación Naval (EAN), localizada na Base Aeronaval de Punta Índio, aproximadamente a 120 km a leste de Buenos Aires, bem na foz do Rio da Prata.

A turma era basicamente composta por dois aviadores navais já formados no ano anterior no Curso de Aperfeiçoamento em Aviação para Oficiais (CAAVO) da MB, os então 1º Tenentes Lucas Soares Fragozo e Mauro Olivé Ferreira.

Composto por dez estágios, o “Curso de Aviación em Ala Fija” tinha como aeronave de instrução o também lendário T-34C-1.

Iniciado em 30 de janeiro, o curso foi estruturado desde estágios básicos de aviação, culminando, em outubro do referido ano, com a aproximação real a Navio-Aeródromo.

A prática real viabilizou-se porque, naquele ano, o, hoje saudoso NAeL Minas Gerais se aproximou da costa da cidade argentina de Bahía Blanca, em razão da “fase argentina” da Operação UNITAS VII.

Àquela altura, outubro de 1997, o curso em Punta Índio já se aproximava de seus momentos finais e, dos 19 alunos que iniciaram o curso, somente 14 continuavam. Entre eles, os dois brasileiros.

Aproveitando-se da proximidade do referido NAeL à costa argentina, a ARA, por meio da EAN, selecionou seis oficiais alunos para serem deslocados para a Base Aeronaval de Espora, próxima à Bahia Blanca, que ao chegarem lá, deveriam executar a prática em terra de pouso em navio (PTPN), espécie de estágio preparatório para a aproximação real em alto mar.

Assim que chegamos, percebemos que não somente os alunos de Punta Índio, mas também grande parcela de toda a Aviação Naval da ARA aproveitaria  para adestrar os seus pilotos em toque-e-siga no NAeL Minas Gerais.

Eram pilotos de S-2T Turbo-Tracker e caças Super-Etendard, que se preparavam em Espora para a aproximação real ao NAeL, acelerando ainda mais o já frenético movimento de aeronaves nas pistas daquela base.

Por esta razão, cabia aos pilotos da EAN aguardar todos os dias uma janela para treinamento, já que a prioridade, obviamente, era manter ou readquirir a qualificação dos aviadores navais argentinos dos Esquadrões operativos.

Assim sendo, logo na tarde do primeiro dia, iniciou-se o PTPN.

Para tanto, os 6 alunos (mais os seus 6 instrutores) foram deslocados de viatura até a cabeceira de uma das três pistas de Espora (de acordo com o vento reinante) e lá ficamos aguardando a referida janela de treinamento, entre os períodos destinados aos S-2T e Super-Etendard.

Lembro-me bem da surpresa que passei na primeira aproximação ao “convés de vôo” simulado do suposto Navio-Aeródromo, preparada em uma das cabeceiras de Espora.

Como a pista em Punta Índio era 20 metros mais estreita que a pista em Espora, havia uma falsa sensação de estarmos mais baixo do que na realidade estávamos.

A consequência foi que nos primeiros pousos levantávamos o nariz do avião para fazer o “flare” em uma altura superior à correta e, literalmente, “caíamos” de uma altura de dois a quatro metros, rendendo alguns sustos e, é claro, uma reclamação de nossos instrutores.

A partir daí, todos os dias, por volta das sete e meia da manhã, os 6 alunos executavam aproximadamente dez passes na pista que simulava o convoo do Minas Gerais, apurando a cada passe a técnica básica: ao entrar na curva base,  procurava-se identificar a “bolinha” no espelho posicionado na lateral esquerda da pista.

Após isso, executava-se a aproximação final ao “convoo”, procurando manter a “bolinha” alinhada às luzes verdes do espelho (o que indicava que a rampa de aproximação estava correta), mantendo a velocidade correta (inacreditáveis 65 Knts), de olho no alinhamento da pista e no semáforo de ângulo de ataque, no painel da aeronave, para assegurar que tocaríamos na pista com a atitude correta: nem rápidos demais, nem ao contrário, próximos de um “stall”, ou seja, lentos o suficiente para perdermos sustentação naquele momento crítico, que era a aproximação à “popa” do NAeL simulado.

Sobre a velocidade, cabe aí um comentário. Para que o Mentor conseguisse manter o ângulo de ataque correto, a 65 Knts, sem estolar, só havia uma maneira: voar com a cabine aberta!

O T-34 tinha que voar com o seu Canopy todo recuado, com o piloto sentindo, efetivamente, o vento no rosto para que a atitude correta de aproximação, à velocidade tão baixa, fosse alcançada.

Chegou, então, o grande dia. Todo aquele esforço em Espora serviria para aquele momento único, quando duas esquadrilhas de três Mentor, uma de manhã e outra à tarde, fariam a aproximação real ao lendário e notável Minas Gerais.

Os seis alunos e seus respectivos instrutores foram divididos. Na esquadrilha da manhã, Fragozo e cinco colegas argentinos (dois alunos e três instrutores) e, à tarde, eu e outros cinco pilotos argentinos (também cada Mentor com um aluno e um instrutor).

O instrutor mais antigo decidiu que os brasileiros seriam os alunos das aeronaves líderes, formando os pilotos argentinos na ala de nossas aeronaves.

Ao se aproximar a minha hora de decolagem, recebi no hangar a tripulação da primeira esquadrilha. O sorriso exultante do meu colega brasileiro respondia qualquer pergunta do tipo “e aí, como foi o voo?”

Chegou a minha vez! Decolamos em ala de Espora e logo direcionamos nossa esquadrilha na direção da imensidão do Atlântico Sul.

O instrutor mais antigo (que estava na minha aeronave) determinou-me manter a fonia em espanhol (mesmo após entrar em contato com o controle de aproximação do Minas Gerais), para que todos os pilotos argentinos da minha esquadrilha pudessem entender a comunicação com o NAeL e assim cumpri.

Após poucos minutos de voo, tive uma das mais marcantes visões da minha carreira: avistei, na imensidão azul, o majestoso Grupo-Tarefa (GT) nucleado no NAel Minas Gerais.

Tive de segurar as lágrimas, pois, após nove meses de sacrifício, em um curso naturalmente desgastante, realizado longe de casa, voltava a operar com navios da Marinha do meu querido Brasil.

Mas ainda faltava fazer a minha parte e, desta forma, entrei em contato com o controle de aproximação para passar a mensagem de apresentação da nossa esquadrilha (em espanhol, como determinado).

Não deixou de ser curioso, já que o controlador se esforçava para falar em espanhol sofrível com o piloto que suspeitava ser argentino.

Como o navio sabia que na minha esquadrilha estaria vindo o outro brasileiro que, além do tenente Fragozo, estava cursando em Punta Índio, o controlador acabou perguntando:  “O Tenente Olivé se encontrava a bordo de alguma das aeronaves da esquadrilha?”.

Pedi, então, permissão ao meu instrutor e me apresentei em português ao mesmo: “Afirmativo, quem está falando é o Tenente Olivé.”

O controlador passou, então, a fonia para o então Comandante do NAeL Minas Gerais, o CMG Vallin, também aviador-naval, que me deu as boas-vindas e desejou bons passes.

Rompi a formatura e me aproximei como número um do Minas Gerais e ao entrar na “perna do vento”, no través do espelho observei que na ilha do Minas Gerais, militares se espremiam para ver a aproximação da esquadrilha de T-34, também contando com um piloto brasileiro como líder.

Como o trem do Mentor não era preparado para pouso a bordo, só poderíamos executar um toque eventual no convoo.

De fato, deveríamos dar potência na aeronave quando estivéssemos próximos de tocar, seguindo os sinais do Oficial de Sinalização e Pouso (OSP) do NAeL. Porém, à medida que fui executando os passes, com o vento em meu rosto, fui cada vez mais me aproximando do convoo, quando lá pelo quinto ou sexto passe (não me lembro ao certo), acabei tocando sem querer no convoo do Minas, quase de surpresa.

Em seguida ao toque, novamente dei potência e arremeti para o passe seguinte e, no final, e aí não mais “sem querer”, repeti o toque mais duas vezes.

O trem, sem qualquer problema, deu prova da sua resistência e no décimo passe, fui para o circuito de reunião e aguardei as outras duas aeronaves que concluíam também os seus passes.

Então, reuni a esquadrilha, me despedi, em português, do NAeL Minas Gerais e, mais uma vez como aeronave líder, tomei a proa de Espora na costa argentina.

Somente dias após a minha chegada em Espora é que fiquei sabendo que a ARA daria um jantar para a MB, ocasião para qual os dois alunos brasileiros também seriam convidados.

Inicialmente não entendi bem o porquê, mas o fato era que eu não sabia que nós dois tínhamos acabado de nos tornar os primeiros aviadores navais da MB, em algumas décadas, a tocar no convoo de um Navio-Aeródromo brasileiro pilotando um avião.

Somente entendi o significado deste momento histórico, quando naquela distante noite em outubro de 1997, no jantar ofertado pela ARA à MB, foi passada ao CGT brasileiro uma foto do meu Mentor se aproximando do NAel Minas Gerais.

Durante anos, esta foto decorou um dos corredores próximos à Praça DÁrmas do NAeL e com a baixa deste, a foto foi transferida para São Pedro da Aldeia e, anos mais tarde, passou a compor o honroso acervo do Museu da Aviação Naval, como mencionado acima, passando a ser um dos poucos registros históricos daquele momento, plantando mais um pequeno passo na retomada da aviação de asa fixa pela MB.

NOTA DO EDITOR: agradecemos ao CC Olivé pelo privilégio do Poder Naval ser o primeiro meio a divulgar esta importante passagem da história recente da nossa Aviação Naval.

(*) O autor é o atual Encarregado do CAAVO, no Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval Almirante José Maria do Amaral Oliveira (CIAAN).

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Um oficial de alta patente da Marinha Russa disse à agência RIA Novosti na semana passada que a Rússia pretende colocar três cruzadores nucleares da classe Kirov de volta ao serviço ativo, até 2020.

A Rússia construiu quatro navios da classe entre 1974-1998 e um deles, o Pyotr Veliky, está em serviço como navio capitânia da Frota do Norte.

“Os cruzadores Admiral Nakhimov, Admiral Lazarev e Admiral Ushakov serão modernizados e colocados em serviço novamente em 10 anos”, acrescentando que seus equipamentos e armas serão totalmente modernizados.

Existem dúvidas sobre o real estado dos navios e se realmente vale a pena trazê-los de volta. Por outro lado, a indústria naval militar russa perdeu muito do seu “expertise” e a volta dos navios seria uma forma mais rápida de superar a dificuldade de construir navios a partir do zero.

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