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Invencible x CVF

A imagem acima é uma comparação do hangar do NAe Invencible e do novo NAe britânico CVF. Nas minhas contas cabem oito F-35B no hangar do Invencible (ou Sea Harrier) contra 22 F-35B no CVF. Mantendo uma forma corrida no hangar do Invencible, sem afulinar no meio, me parece que caberiam 14 F-35 no hangar.

Nos porta-aviões americanos é comum ver dezenas de aeronaves estacionadas no convés de voo. O desgaste é maior, principalmente devido a água do mar, mas também não é um problema para um país rico. Para países com menos recursos é de se esperar que um porta-aviões opere com menos aeronaves para manter o máximo possível dentro do hangar.

 

As novas Saar 4.5 israelenses

Devido a limitações no orçamento a marinha israelense cancelou planos de compra de dois navios LCS americanos e depois duas fragatas MEKO 200 alemãs. Agora estão estudando a compra de duas corvetas classe Saar 4.5 por cerca de US$ 500 milhões. Parte do financiamento virá da retirada de serviço de duas corvetas classe Saar 4.

O que chama a atenção na Saar 4.5 é a densidade de armamentos em um navio tão pequeno: um canhão Oto Melara de 76mm (2), um sistema Phalanx (15), oito mísseis Harpoon (5) e seis Gabriel II (3) anti-navio, 32 mísseis Barak antiaéreos (18), além de dois canhões Oerlikon de 20mm (17) e duas metralhadoras M2 (16) operadas manualmente. A imagem é de uma versão mais antiga das Saar 4.5. É bom provável que os novos navios sejam equipados com a torreta Typhoon equipada com um canhão de 25 mm e mísseis Spike-ER guiados por fibra ótica.

A escolha de um navio pequeno faz sentido em um cenário onde os adversários estão bem do lado e para uma marinha que não tem que operar a longa distância. Um mar fechado como o Mediterrâneo também é bem mais calmo comparado com mares abertos.

A imagem abaixo é de uma versão da Saar 4.5 equipada com hangar que aparece na página da internet do estaleiro Israel Shipyards. Israel já operou duas Saar 4.5 equipadas com hangar que foram vendidas para o México. Agora devem operar com apoio de aeronaves não tripuladas.

 

Uma Alternativa para o PROSUPER

Uma capacidade que sempre fez falta na MB são escoltas com capacidade de defesa aérea de área. Para uma marinha que pretende ter um NAe equipado com caças embarcados para defesa aérea, parece incoerência ainda não estar operando com estes meios.

Um NAe com caças embarcados não garante a capacidade de defender um Grupo Tarefa continuamente ou contra todas as ameaças aéreas. Os caças embarcados podem estar incapazes de decolar devido ao mau tempo, não podem reagir a uma ameaça mais numerosa cobrindo todos os alvos, ou podem não estar disponível em quantidade suficiente para manter Patrulhas de Combate Aéreo de forma contínua.

A resposta a estas limitações é o conceito de defesas em camadas, com os caças cobrindo ameaças mais distantes enquanto as escoltas antiaéreas cobrem as ameaças mais próximas. No fim do engajamento, as defesas de cada navio cuidariam do que sobrasse.

As fragatas da classe Niterói equipadas com o Albatros/Aspide tem capacidade de defesa de área curta, o que ainda é insuficiente. As novas escoltas do PROSUPER devem ser a resposta.

PROSUPER

A MB reativou o Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER), para a compra de cinco navios escoltas de cerca de até 6 mil toneladas (de um total de 30 escoltas previstas pelo PEAMB). O inicio da construção dos dois primeiros navios pode ocorrer entre 2012 e 2013.

O que chama atenção no PROSUPER é o tamanho dos meios envolvidos. Os possíveis concorrentes são navios com mais de 5 mil toneladas de deslocamento como as FREMM franco-italiana, a F100 espanhola, a KDX II coreana e a Type 26 britânica. Pelo menos a capacidade de levar mísseis com capacidade de defesa aérea de área faz parte dos requisitos, assim como a presença de sistemas de lançamento de mísseis vertical. Mesmo assim, algumas propostas foram projetadas sem capacidade de defesa aérea de área como as Type 26 britânicas.

O requerimento das escoltas do PROSUPER especificou o deslocamento como sendo no máximo 6 mil toneladas e o comprimento de 155 metros. Uma análise das escoltas atuais mostra que é raro encontrar navios com capacidade de defesa aérea de área menores que 5 mil toneladas. Uma exceção é a classe Formidable de Cingapura (imagem acima). Seis navios foram comprados em 2002 da DCN francesa. Os navios foram baseados na classe La Fayette Francesa. São navios de 3.200 toneladas com apenas 70 tripulantes graças a grande automação.

O que chama atenção nos navios da classe Formidable são os armamentos. O navio é equipado com quatro lançadores verticais SYLVER (SYstème de Lancement VERtical) podendo levar um total de 32 mísseis. Algumas fontes citam que os lançadores são do modelo A50 podendo levar mísseis Aster 15 e Aster 30. Os mísseis Aster 30 dão capacidade de defesa aérea de área devido ao alcance de até 100km. Junto com o radar Herakles a classe Formidable teria a mesma capacidade de defesa aérea de área de uma classe FREMM.

Além da capacidade de defesa aérea desejada, a classe Formidable preenche outro requisito importante para a MB que seria o custo. Um navio menor é sempre mais barato para comprar e operar. Os franceses diminuiriam ainda mais os custos equipando o navio com propulsão CODAD com quatro motores a diesel. É bem provável que a MB nem consiga verba suficiente para comprar mísseis para armar completamente todos os navios (até 32 mísseis antiaéreos por navio).

Considerando que a verba poderá ser cortada, como recentemente ocorreu com os cortes dos Royalties do petróleo, então é possível pensar na compra de apenas três navios para garantir que pelo menos uma esteja sempre disponível para operações. Caso a verba seja insuficiente para três navios é possível pensar em alternativas. Como a capacidade mais desejada é a defesa aérea então é possível pensar em um navio sem a capacidade anti-submarina com os sonares e tubos lança-torpedos previstos para uma modernização futura. O mesmo pode acontecer com os mísseis anti-navio que seriam instalados posteriormente (provavelmente o MAN-1 nacional). As marinhas operam em Grupos Tarefas e estas capacidades podem estar presentes em outros navios. Outra opção é garantir a capacidade de operar um dos novos helicópteros MH-16 SeaHawk que terão capacidade anti-submarina e anti-navio.

O próximo passo é projetar o navio com a capacidade de levar também os lançadores SYLVER A70 capazes de levar mísseis cruise como o Scalp Naval. Assim o navio teria capacidade, mesmo limitada, de projeção de poder.

 

Vertical Support Ship – VSS

Em um post anterior foi descrito o conceito de Navios de Controle de Área Marítima. O Almirante Hoolway, suecessor do Amirante Zumwalt, usou o conceito do NCAM para propor um navio mais capaz, chamado de Vertical Support Ship (VSS). Holloway esperava que as forças navais do futuro usariam muitas aeronaves V/STOL e uma frota de 15 VSS poderia operar com um modelo de helicóptero ASW, um caça V/STOL e uma aeronave V/STOL para missões ASW e AEW.

Entre 1974 e 1976, a US Navy (Marinha dos EUA) estudou cinquenta modelos do VSS. O primeiro foi o VSS-D, que era basicamente um NCAM com capacidade de operar com o F/A-18 Hornet. O conceito foi questionado pelo tamanho para operar aeronaves grandes e sobre a capacidade de sobrevivência contra forças soviéticas.

O VSS-2 era um navio maior, com 29.300 toneladas de deslocamento e capaz de levar 26 caças F/A-18 Hornet. Seria armado com oito RGM-84 Harpoon e um Phalanx. O convés de voo seria ligeiramente inclinado para a direita. Era a única opção para criar uma pista longa em um casco relativamente curto. Na proa seriam instaladas duas catapultas a vapor capazes de lançar um F/A-18 Hornet.

A proposta tinha várias limitações como a instalação das catapultas e os elevadores na pista. Elevadores nas laterais poderiam criar problemas em mar agitado.

As imagens abaixo são da proposta de 1977 do VSS-2 e uma versão atualizada do conceito.

 

 

 

A MB (Marinha do Brasil) estuda a construção de um porta-aviões de tamanho médio capaz de operar com aeronaves convencionais. Os candidatos podem ser os concorrentes do Programa FX da FAB como o FA/18 Super Hornet e Rafale M. O VSS poderia ser um conceito a ser estudado para o projeto, visto que a operação de aeronaves de porte médio como o Super Hornet e Rafale exige um navio de pelo menos 40 mil toneladas como o Charles de Gaulle.

Convém considerar que, em operações de coalizão como a que está ocorrendo na Líbia atualmente, os países participantes estão enviando frotas bem pequenas de caças, raramente passando de 10 aeronaves por país. Considerando que a França enviou não só os Rafale M, mas também seus Super Etendart, então até mesmo os AF-1, se estivessem modernizados, poderiam estar participando das operações.

 

No dia 26 de julho a US Navy (Marinha dos EUA) testou uma bomba guiada JSOW AGM-154C-1 contra um navio alvo Mobile Ship Target (MST) de 80 metros de comprimento, demonstrando a capacidade de atacar alvos móveis no mar. A JSOW foi disparada de um F/A-18F a 35km do alvo.

O casulo ATFLIR do Super Hornet guiou a bomba usando o telêmetro laser para determinar as coordenadas do alvo e transmitir para a JSOW por um datalink (Link 16). Na fase terminal, um sensor de imagem infravermelho fez o reconhecimento e classificação do alvo, comparou com uma biblioteca de alvos e determinou qual era o melhor ponto de pontaria. O alcance da JSOW C-1 é de 100km quando disparada a uma altitude de 12 mil metros. A JSOW C-1 deve entrar em operação no fim de 2013. A US Navy deve comprar 1650 JSOW C da Raytheon.

A Raytheon está propondo uma versão propulsada da JSOW com alcance de 500km. A JSOW-ER já foi demonstrada em 2009 voando 264 milhas. A versão operacional terá que receber uma ogiva menor que a de 454kg atualmente em uso. A cabeça de guerra do Maverick de 136kg é uma opção para diminuir os custos.

A US Navy tem várias armas antinavio que poderão ser substituídas pela JSOW. Os AGM-84 Harpoon têm alcance de 100km, mas não podem receber atualização em voo. Os SLAM-ER têm alcance de 250km atualização de meio curso, mas precisam de um operador continuamente. As Paveway e JDAM guiadas a laser têm capacidade antinavio e contra alvos móveis limitados.

O Maverick tem alcance de 25km, sendo usado contra pequenos navios e foi empregado recente na Líbia, quando um P-3C Orion da US Navy neutralizou um navio patrulha. Os helicópteros da US Navy usam o Hellfire guiado a laser contra navios.

O Maverick e o Hellfire deverão ser substituídos pelo Joint Air-Ground Missile (JAGM), sendo que o Maverick deve operar até 2020. O JAGM terá sensor trimodo com capacidade de guiamento por imagem infravermelha, laser semi-ativo e radar de onda milimétrica. A Lockheed Martin e a Raytheon/Boeing estão competindo no programa JAGM com a escolha planejada para 2012.

A GBU-53B Small-Diameter Bomb II (SDB II) foi projetada para atacar alvos em terra, mas tem capacidade de atacar pequenos alvos móveis no mar. O sensor é o mesmo do JAGM

O AGM-88 HARM é outra arma com capacidade de atacar navios. O objetivo é destruir os sensores e diminuir a capacidade do navio de se defender. O AIM-9X também está recebendo a capacidade de atacar alvos no mar e já demonstrou-a após mudanças no software. Durante operações no Iraque, já ocorreram situações em que os pilotos de Hornet ficaram sem munição e pediram autorização para disparar seus AIM-9X contra alvos em terra, o que foi negado.

FONTE: Revista SeaPower

NOTA DO EDITOR: apesar de ter um alcance menor que o Harpoon, a JSOW tem uma cabeça de guerra mais potente. A capacidade furtiva das JSOW permite que voem mais alto, o que aumenta o alcance. O sensor passivo também garante a furtividade e a precisão e compensa a perda do poder destrutivo, e menos armas devem ser necessárias para saturar um alvo. A JSOW também tem capacidade de atacar alvos em terra incluindo navios no porto.

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O Almirante americano Elmo Zumwalt propôs em 1973 o conceito de Navio de Controle de Área Marítima (NCAM). O cenário da época era o da guerra fria e um NCAM escoltaria comboios no Atlântico para apoiar operações em terra na Europa durante um conflito entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia. Os porta-aviões convencionais tinham muito poder ofensivo para serem desperdiçados em missões de escolta e atuariam em áreas mais perigosas em operações ofensivas.

Zumwalt estimava que 20 comboios estariam o tempo todo trafegando no Atlântico no caso de um conflito. Como um NCAM custaria 1/8 de um porta-aviões então podia ser construído em uma quantidade respeitável. O componente aéreo principal do NCAM seria de helicópteros anti-submarinos e uns poucos caças AV-8A Harrier seriam usados para defesa aérea contra aeronaves de patrulha de longo alcance e para atacar alvos navais pouco armados.

Por motivos principalmente políticos, o projeto não foi adiante. O conceito foi testado com o navio anfíbio USS Guam e os porta-helicópteros e navios de assalto da US Navy como as classes Guam e Tarawa passaram a ter a capacidade de atuar também como NCAM. O conceito do NCAM foi posto em prática por outros países como a Classe Invincible britânica, o Principe de Astúrias espanhol e o Garibaldi italiano (fotos abaixo).

Uma variação do NCAM é o DDV-X Air Capable Spruance (imagem que abre esta matéria). O navio era uma proposta de 1977 do Comandante Ronald Ghiradella que usava o casco do contratorpedeiro Spruance (foto abaixo) com um convés corrido e hangar. O navio teria apenas um elevador para apoiar o hangar. O convoo poderia operar o Harrier. Comparado com o NCAM o navio teria radares e sonar, armas mais capazes sendo um navio de guerra com capacidade similar a classe Kiev russa.

O deslocamento do DDV-X previsto era de 8125t carregado e poderia levar até oito caças Harrier. Seria armado com oito mísseis Harpoon, um lançador Sea Sparrow, um canhão de 127m, e quatro CIWS. O custo estimado seria o dobro do Spruance.

O desenho acima é da versão final que começou a ser construída e seria chamado de CVE USS Santa Fe: 1 – Phalanx; 2 – Sea Sparrow; 3 – radar SPS-40E; 4- radar SPQ-9A; 5 – canhão Mk.45 de 127mm; 6 – sonar SQS-53B; 7 – elevador; 8 – chaminés.

NOTA DO EDITOR: se o conceito fosse posto em prática e operasse até após o F-35 entrar em operação, seria possível fazer algumas comparações entre as capacidades dos porta-aviões de décadas atrás com as que podem estar disponíveis no futuro. Supondo um ataque de um porta-aviões convencional com caças F/A-18A contra uma base aérea, durante a década de 1980, seriam necessários quatro caças para garantir um corte em uma pista em um ataque a média altitude. As aeronaves teriam que ter escolta de caças F-14 e/ou F/A-18A, supressão de defesas com mais F/A-18 ou EA-6B e interferência eletrônica com os EA-6B Prowler. Seria um pacote com 12-20 aeronaves para fazer alguns buracos em uma pista de pouso.

Um DDV-X equipado com oito F-35B poderia lançar quatro aeronaves equipadas com oito bombas guiadas SDB cada (32 bombas no total) ou oito bombas JDAM de 454kg, pode garantir quase 32 pontos de pontaria na base aérea ou pelo menos oito grandes crateras na pista. Por ser furtivo o F-35 não precisariam de escoltas de caças, nem de supressão de defesas e nem do apoio de uma aeronave de interferência eletrônica. Como as operações navais atuais são de baixa intensidade, e como são longos os voos no Afeganistão a partir do oceano Indico e as operações na Líbia, o conceito parece ainda ser atual.

Por Marcelino André Stein
 

Estimativas das mais diversas apontam que cerca de 95% do comércio internacional são transportados em navios e a maioria desses navios opera no regime de bandeiras de conveniência.

O termo bandeira de conveniência descreve uma prática de negócios no mercado da navegação internacional que consiste na inscrição de um navio mercante em um Estado soberano diferente do Estado dos reais proprietários ou operadores do navio. Esse país cobra impostos e taxas mínimos, por vezes nulos, e não tem desejo, nem a capacidade física ou financeira, de aplicar sua legislação interna ou a internacional, pertinente a registros de navios, para que um armador arvore sua bandeira. Na maioria das vezes, não mantém vínculos de qualquer natureza com estes armadores, senão o objetivo de ganhos financeiros imediatos.

Não existe um regime global que regule ou até desregule o registro de navios em determinados países, que obrigue ou desobrigue o registro nos países de que são cidadãos os proprietários dessas embarcações, instalando-se aí um verdadeiro “salve-se quem puder”, valendo qualquer regra para a manutenção barata de um navio.

Fazendo uma analogia ao caso concreto, podemos comparar com o tempo em que no Brasil era fato corriqueiro o emplacamento de carros em Curitiba, pois lá o IPVA era bem menor. Isso mudou, depois da reação estadual de São Paulo.

Este é o cerne do problema. Se países como Bolívia e Mongólia, que nem costa possuem, são hoje países de “registro aberto” – esse é o nome que se dá a esses países, onde a legislação é, digamos, mais frouxa -, quem regula as condições de trabalho em alto mar dessas tripulações? Não esquecendo que esses salários aviltantes causam também o chamado dumping social. Quem verifica os cascos e condições de navegabilidade desses navios? Quem dá a devida atenção ao fato de o Brasil deixar de arrecadar impostos ao não ter uma marinha mercante forte, deixando de criar um mercado de trabalho?

Esses países oferecem subsídios e isenções de impostos e taxas aos proprietários dos navios, criando uma competição desleal no mercado global, dando uma imensa vantagem competitiva a esses proprietários. Para regrar esse comércio não regulado, trazendo igualdade de competição às marinhas mercantes de todos os participantes do comércio internacional, faz-se necessário um “poder maior”, supranacional.

Com o advento da criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), também sob o manto da ONU, surgiu um novo e poderoso instrumento para a eliminação de práticas desleais de comércio, mormente, com a promulgação, em 1995, do General Agreement of Tariffs in Services (Gats), sob a égide da OMC, que viria a tornar realidade uma maior transparência e progressiva liberalização do comércio internacional, em bases mais igualitárias.

Nada mais natural que defender a instituição criada para desfazer a “ordem natural” citada por Hobbes, no Leviatã, a “lei do mais forte”: as Nações Unidas – e dentro dela a OMC e, dentro da OMC, o órgão criado para lidar com os assuntos da navegação marítima internacional, o Gats, e, dentro do Gats, o Grupo de Trabalho de Serviços Marítimos.

Infelizmente, até o momento, a Rodada Uruguai, que culminou com a criação da OMC, não obteve ainda o sucesso esperado, ao menos no quesito de incluir e fazer valer os serviços marítimos sob as normas da OMC – e sob a égide do Gats. Hoje, a Rodada Doha tem timidamente o assunto em seu escopo de discussões, mas, aparentemente, esse assunto não tem encontrado países que patrocinem essa ideia com o devido entusiasmo, nem mesmo o Brasil.

Sustenta-se que todos os países possam usar uma legislação equânime para que haja não somente igualdade entre os contratantes, mas que, acima de tudo, haja respeito aos direitos humanos dos trabalhadores marítimos, segurança marítima e melhor proteção ao meio ambiente.

A omissão do Estado brasileiro e dos seus pares – membros da OMC e principais prejudicados pela injusta competição internacional, causada pelas bandeiras de “(in)conveniência”, que lançam mão de práticas desleais, e por vezes ilegais – impede o surgimento de uma marinha mercante e de uma indústria naval brasileira e, até mesmo, a criação de um poder marítimo digno da grandeza e das necessidades do Brasil.

Trata-se de tema importante para os interesses estratégicos de longo prazo do Estado brasileiro. A elaboração de uma política marítima de estado é fundamental para um país que tem uma das maiores costas e malhas hidroviárias do mundo e, tradicionalmente, estruturado desde o seu descobrimento, de “costas para o oceano”.

Estranho e revelador o fato de, até hoje, o Brasil não contar com uma guarda costeira, por exemplo, não explorar os benefícios de um cluster marítimo (no qual poderiam ser fabricados navios e embarcações), não ter mantido uma marinha mercante (hoje inexistente), não desenvolver as hidrovias (60 % da matriz de transportes é rodoviária), não desenvolver a navegação de cabotagem e não fortalecer a indústria naval, a fim de se tornar uma referência mundial em produtividade e competitividade marítima e portuária.

Marcelino André Stein é mestre em direito das relações econômicas internacionais pela PUC-SP, advogado e sócio do escritório Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados

FONTE: Valor Econômico Online via Marinha do Brasil

 

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Para articulista do Lexington Institute, manter o projeto da versão STOVL do F-35 é economizar no longo prazo e aumentar flexibilidade operacional

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Artigo de Daniel Goure, Ph.D, publicado em 19 de julho pelo Lexington Institute, afirma que o orçamento de defesa dos EUA está sob ameaça de ser varrido por um ‘tsunami’ de reduções de dívidas e déficits, e a reação instintiva do Departamento de Defesa deverá ser tentar salvar o que for possível.

Sugestões dentro do departamento começam em evitar decisões difíceis, procurando primeiro reduzir gastos das contas de operação e manutenção. Em segundo lugar, esticar os programas de aquisição, o que traria custos totais maiores, mas com gastos menores no curto prazo. Em terceiro, reduzir reduzir o pessoal nas unidades existentes, evitando cortá-las por inteiro. E, finalmente, apenas se forem colocados contra a parede é que os militares reduzirão sua estrutura.

Mas, segundo o artigo de Goure, o problema dessa abordagem é que ela só olha para trás, considerando que as capacidades atuais serão as mais necessárias no futuro e deverão ser preservadas. Também acaba exacerbando a tendência de membros do Congresso dos EUA para preservarem sistemas que estão envelhecendo, e que os militares gostariam de desativar para economizar em manutenção e apoio. Essa abordagem falha em reconhecer que os investimentos em novas capacidades podem, isso sim, reduzir os gastos de defesa no longo prazo, e até mesmo melhorar o desempenho das forças.

O programa que normalmente está na mira de diversos planos de redução de gastos de defesa é o do F-35, notadamente na sua versão F-35B, de decolagem curta e pouso vertical (STOVL). A abordagem de visão curta falha em reconhecer a flexibilidade operacional que o Departamento de Defesa vai ganhar com o F-35B. A operação de Harriers dos EUA e da Itália sobre a Líbia é uma clara demonstração do valor de aeronaves STOVL.

O F-35B poderá operar dos convoos dos navios anfíbios dos EUA, o que duplica o número de navios nos quais os Estados Unidos podem utilizar aviões de alto desempenho. Uma força tarefa naval composta de navios de desembarque anfíbio com seus F-35, além de destróieres e cruzadores equipados com AEGIS e submarinos com mísseis de cruzeiro poderiam eliminar a próxima ameaça do tipo da Líbia praticamente sozinhos.

Uma combinação de navios-aeródromos grandes, de propulsão nuclear, e navios de desembarque anfíbio capazes de empregar o F-35B poderiam se contrapor às atuais ameaças de média intensidade e, ao mesmo tempo, prover dissuasão para as possíveis ameaças futuras de alta intenside. Será difícil para o Departamento de Defesa responder aos desafios que os EUA deverão enfrentar no futuro, de forma efetiva, apenas com seus grandes navios-aeródromo de propulsão nuclear (CVN). Além disso, a operação nos CVN é bastante cara. Adquirir o F-35B faz sentido tanto para atender à flexibilidade operacional quanto a redução de custos.

FONTE: Lexington Institute (tradução, adaptação e edição: Poder Naval)

FOTOS: jsf.mil e Marinha dos EUA (USN)

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Fotos do primeiro navio-aeródromo chinês Shi Lang (ex-Varyag), deste mês. Elas mostram uma versão aperfeiçoada do CIWS Type 730, o lançador de mísseis antiaéreos HQ-10 (FL-3000N), radares 3D Sea Eagle instalados e vários equipamentos de guerra eletrônica. (Clicar nas fotos para ampliar).

Abaixo, o diagrama mostrando a posição das armas e dos sensores.

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Norman Gall – O Estado de S.Paulo

O Brasil é hoje o maior mercado do mundo para bens e serviços do setor petrolífero em alto-mar. Petrobras é a maior compradora. Entretanto, a escala, o custo e a complexidade dessas necessidades desafiam a indústria brasileira na procura de maiores negócios.

Alguns consultores acreditam que a Petrobras poderá gastar US$ 1 trilhão nos próximos anos, em investimentos e custos operacionais de projetos em águas profundas, valor equivalente à metade do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, no maior empreendimento industrial da história do Brasil. Os gastos anuais de capital da Petrobras nesta década, mais de US$ 45 bilhões, são muito mais do que o orçamento anual da Nasa nos anos 60, em dólares atualizados, quando os Estados Unidos se preparavam para enviar um homem à Lua. Poucas agências governamentais no mundo podem igualar em escala e alcance esse volume de contratos.

Segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, a estatal absorve 10% dos investimentos em capital fixo bruto do Brasil. A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), uma associação público/privada, estima que os gastos de capital para o setor de petróleo e gás, em 2009-2012, totalizarão US$ 147 bilhões, ou 60% de todos os investimentos industriais do Brasil.

A Petrobras foi pioneira na padronização de equipamento submarino para a produção de peças intercambiáveis entre os fabricantes, reduzindo o tempo necessário para as instalações e os reparos por navios especializados que cobram aluguéis diários de US$ 200 mil.

Mas Gabrielli advertiu: “O grande estrangulamento e o risco no desenvolvimento do pré-sal estão na incapacidade dos fabricantes de fornecer navios, equipamentos e máquinas a tempo e a um custo razoável. Quando falo de equipamentos, refiro-me a milhares de sistemas, alguns críticos”.

A indústria petrolífera sempre foi arriscada, tanto em termos físicos quanto financeiros, mas muito menos quando as companhias conseguem a integração vertical, controlando o fluxo da produção, transportes, refino e marketing.

A Standard Oil Trust, de John D. Rockefeller, conseguiu a integração nos primeiros anos de existência do setor, assim como as maiores companhias – Exxon, Shell e algumas outras – até que a revolução da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) nos anos 70, reduziu o controle delas sobre as reservas.

Com suas descobertas em alto-mar, desde a década de 70, a Petrobras agora é a companhia petrolífera mais altamente integrada do mundo, com o domínio do seu grande mercado nacional, com o apoio do governo e com acesso privilegiado a grandes reservas em águas profundas nas Bacias de Campos e Santos, enfrentando muitas dificuldades técnicas.

Em 2009, a Petrobras dominava o mercado mundial em sistemas de produção flutuantes em águas profundas, na maior parte superpetroleiros adaptados para receber, armazenar e descarregar petróleo e gás extraídos do leito marinho, com 23 dos 49 sistemas flutuantes operando no mundo todo, e 10 das 17 plataformas de produção semissubmersíveis usadas globalmente. Em 2020, as operações da Petrobras absorverão mais 58 plataformas de perfuração (que custam mais de US$ 600 milhões cada uma), 45 novas plataformas de produção e 309 superpetroleiros e barcos de apoio.

As encomendas de plataformas de perfuração podem ser um negócio especulativo, com aluguéis que custam em média US$ 500 mil ao dia e com prazos de quatro anos entre encomenda e entrega pelos estaleiros. Nos anos de expansão, “os proprietários de sondas continuam encomendando, mesmo quando os fundamentos da economia sugerem que poderá haver excesso de construção”, afirma Steven Kopits da Douglas-Westwood, uma consultoria de petróleo. “Quase todas encomendadas nos tempos de fartura são entregues depois que a recessão se instala.”

Embora a Petrobras domine seu mercado, a escala e a complexidade das operações em águas profundas envolvem um setor povoado por milhares de fornecedoras, entre as gigantes multinacionais que oferecem serviços para a exploração do petróleo, como a Schlumberger e a Halliburton, e pequenas companhias que ocupam nichos tecnológicos.

Outras fornecem barcos de apoio e outras provêem serviços de hotelaria e alimentação para os trabalhadores que ficam durante semanas seguidas nas plataformas de perfuração. Os equipamentos e os serviços tecnologicamente mais avançados são fornecidos por poucas multinacionais que controlam 90% do mercado. A maioria delas criou subsidiárias locais, comprou ou formou parcerias com companhias brasileiras, para aderir às regras de conteúdo local.

Quando a indústria petrolífera mundial migrava para águas profundas, os desafios tecnológicos levaram a Petrobras e suas principais fornecedoras a buscar a inovação. As multinacionais mais fortes – como Schlumberger, GE, Baker Hughes e FMC – montaram laboratórios perto de Campos, o centro de pesquisas da Petrobras no Rio.

O universo do petróleo de águas profundas é habitado por sistemas de máquinas e instalações colossais, projetadas com graus rigorosos de tolerância, para permitir a operação contínua nas variadas temperaturas e pressões das profundezas oceânicas ao longo de décadas.

Gigantescos navios especializados, com guindastes com capacidade de levantar dez mil toneladas, transportam enormes submontagens entre os estaleiros e as fábricas em diferentes continentes. Instalam centenas de quilômetros de tubos flexíveis (risers), dutos e fiação elétrica protegida por material isolante para conectar plataformas de perfuração e de produção com instalações exóticas a milhares de metros no fundo marinho.

Em alguns casos, fazer flutuar um enorme componente para o lugar da montagem é mais caro do que sua fabricação, com aluguéis de navios de construção em águas profundas que custam US$ 500 mil ao dia.

Uma árvore de Natal no fundo do mar, o complexo de válvulas e instrumentos
eletrônicos usados para controlar os fluxos dos poços, pode pesar 30 toneladas; um coletor, 200 toneladas. Âncoras de sucção instaladas uma ao lado da outra no leito marinho podem pesar 160 toneladas cada uma com a altura de um pequeno prédio de apartamentos. A inspeção e o reparo de equipamento submarino são feitos por grandes robôs guardados em garagens no leito do mar. A Petrobras foi a pioneira no uso de novos materiais para a fabricação de tubos e outros componentes mais leves e mais duráveis.

A consultora Booz & Company, em um estudo para a Onip, adverte que, embora a indústria brasileira seja diversificada, participa pouco no fornecimento de bens de capital usados em alto-mar. A Booz concluiu que as fornecedoras brasileiras poderiam ser competitivas em serviços de estaleiros, sistemas elétricos, engenharia básica, suporte logístico de operações em alto mar em construção e montagem de grandes sistemas e módulos.

As construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão operam o estaleiro Atlântico Sul no Porto de Suape, em Pernambuco, em parceria com a Samsung Heavy Industries da Coreia, a líder mundial em plataformas para águas profundas. Os custos nos estaleiros brasileiros são quase o dobro dos da Coreia, que se aproveitam de mão de obra especializada, produção em série, economias de escala e de uma melhor organização.

A Petrobras recebeu propostas de estaleiros brasileiros para 28 sondas a serem
entregues até 2017, mas aceitou apenas uma oferta para sete navios de perfuração por um custo total de US$ 4,65 bilhões da Atlântico Sul. E recusou outras ofertas porque seu custo era 20% acima dos preços internacionais.

Em 2011, a Petrobras aguarda a entrega de nove sondas alugadas, quatro delas capazes de perfurar à profundidades oceânicas de 3 mil metros. Também criou um novo holding, a SETE Brasil, para a compra de plataformas para leasing à Petrobrás, com 10% de participação da mesma Petrobras, com o resto do capital vindo de fundos de pensão do governo e de investidores institucionais estrangeiros, como uma maneira de manter as sondas fora do balanço patrimonial da Petrobrás. Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobrás, disse que essas operações precisariam de “cerca de US$ 20 bilhões”, com 20% a 30% em capital dos acionistas e o restante em empréstimos.

Segundo a Booz, as necessidades da Petrobras são imensas. Para financiar a exploração e o desenvolvimento em águas profundas, nos próximos anos, a Petrobras deverá encomendar 330 geradores à turbina, 610 mil válvulas, 10 mil quilômetros de cabos elétricos submarinos (umbilicais), 17 mil quilômetros de tubos flexíveis (risers), 4,8 milhões de toneladas de aço, milhares de peças de complexos equipamentos submarinos, 68 milhões de homens-hora de engenharia e um bilhão de horas de trabalho para a construção e montagem.

Na década de 1998-2007, a Petrobras pagou aproximadamente US$ 200 bilhões a cerca de 18 mil fornecedoras e empreiteiras. Desde a década de 60, a Petrobras tentou desenvolver fornecedoras. Esse esforço se tornou mais urgente na década de 80 “por falta de alternativas”, disse Alberto Machado Neto, que dirigiu o setor de suprimentos da Petrobras durante duas décadas e agora leciona na Fundação Getúlio Vargas. “Quando os preços mundiais do petróleo caíram, nos anos 80, muitas fornecedoras internacionais se fundiram e nós tivemos sérias dificuldades pela falta de concorrência. A Petrobras lançou o Procap, um programa de desenvolvimento de empresas de tecnologia de sistemas de produção brasileiras. Uma nova fornecedora brasileira, a Flexibrás, associou-se a uma empresa francesa para a produção de linhas flexíveis.”

Outra empresa local, a CBV, começou produzindo árvores de Natal antes de ser
comprada pela multinacional FMC, que agora tem 400 engenheiros no Brasil. É pioneira no desenvolvimento de sistemas submarinos de separação de petróleo e gás no Brasil e no Golfo do México.

Segundo o estudo da Booz, as fornecedoras brasileiras afirmam que sua competitividade é comprometida por impostos e juros altos, pela falta de técnicos, por infraestrutura ruim e escassez de crédito a longo prazo. Elas realizam pouca pesquisa de produtos, exportam pouco e continuam dependentes da Petrobras. Suas fábricas trabalham em geral em um turno único, o que as deixa com excesso de capacidade que poderia ser explorada para que se tornassem competitivas. Será difícil para elas competir em breve em atividades de alta tecnologia, como sondagens sísmicas, equipamentos e serviços de perfuração, fabricação de geradores à turbina e medidas e controle de automação.

Ao todo, os custos no Brasil são 55% superiores aos preços mundiais para equipamentos comparáveis, e muito mais altos em alguns casos, sem poderem oferecer sistemas críticos de alta tecnologia. Com uma escassez de profissionais qualificados, as empresas de engenharia usam até seis vezes mais homens-hora do que as firmas estrangeiras que realizam projetos semelhantes.

Neste momento, a Petrobras pede à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) que convença os fabricantes estrangeiros a montarem suas operações no Brasil, principalmente associando-se às empresas locais. Essa estratégia é diferente da adotada na Noruega, Grã-Bretanha, Coreia e Estados Unidos no desenvolvimento de empresas industriais para atividades offshore.

O nível muito fraco do ensino básico, público e privado, fazem com que o Brasil tenha escassez de mão de obra especializada, o que impede a adoção das estratégias dos países avançados.

Os clusters do Mar do Norte. No final dos anos 60, tanto Stavanger (na Noruega) quanto Aberdeen (na Escócia) eram antigos portos pesqueiros com estaleiros, antes da descoberta de petróleo no Mar do Norte, o que permitiu que se tornassem os principais centros de suporte da exploração e produção no mar. Buscando benefícios em longo prazo do petróleo, o governo da Noruega criou a Statoil, a estatal sediada em Stavanger, bem como uma universidade dedicada aos estudos petrolíferos, e infraestruturas para atrair companhias e profissionais estrangeiros: escritórios e locais de armazenamento, hotéis, campos de golfe e escolas internacionais.

Buscando os retornos da produção petrolífera para superar déficits nos seus pagamentos internacionais, o governo britânico estava menos interessado em desenvolver fornecedoras. Mas a presença de duas de suas maiores companhias petrolíferas, Shell e BP, permitiu que Aberdeen atraísse muitas companhias de serviços e suprimentos. Com o declínio da produção de petróleo no Mar do Norte, companhias norueguesas e britânicas agora são ativas no Brasil.

Coreia. Sem recursos próprios de petróleo, mas beneficiando-se dos investimentos em educação pública e do apoio financeiro do governo para seus três grandes conglomerados – Hyundai, Samsung e Daewoo -, a Coreia criou cinco dos seis maiores estaleiros mundiais, aumentando sua participação na construção naval de 1%, em 1975, para 39% em 2000. Esses chaebols criaram parcerias para a construção de navios para perfuração
e plataformas no Brasil.

Golfo do México (Estados Unidos). Durante a maior parte das três décadas após a 2.ª Guerra, praticamente toda a demanda mundial para instalações no mar foi atendida por estaleiros e fábricas ao longo da costa do Golfo do México. Duas companhias, Brown & Root e McDermott, dominavam na construção de plataformas em alto-mar, mas surgiram muitas empresas pequenas que continuam em operação até hoje. Entretanto, o colapso dos preços do petróleo na década de 80, com muitas falências e fusões de empresas no Golfo, provocou o fechamento de vários estaleiros e a transferência para a Ásia da construção de navios de perfuração em alto mar.
O relatório da Booz contém recomendações para que as fornecedoras brasileiras possam tornar-se internacionalmente competitivas. Entre as mais importantes estão:

  1. A recuperação de empresas de engenharia básica ao redor de duas ou três das principais firmas, com acesso a capital, com possibilidade de recrutamento de especialistas estrangeiros e de compra de empresas estrangeiras, para ganhar capacidade em desenvolver soluções para inovação e fortalecimento da cadeia brasileira de fornecedoras.
  2. O fortalecimento do ensino básico e o treinamento técnico da força de trabalho.
  3. A concentração de clusters de produção em localidades estratégicas, acabando com a dispersão provocada pela influência política.
  4. A criação de institutos de tecnologia do petróleo com financiamento obrigatório da renda petrolífera, formando clusters intimamente ligados à indústria.
  5. A simplificação e o aumento da transparência das regras locais.
  6. Aumento dos incentivos para a exportação de bens e serviços e o fortalecimento dos vínculos com companhias globais.

TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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Os desafios da Austrália para substituir seus submarinos

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Instituto de análises da Austrália está preocupado com os fundos para o empreendimento e com um possível ‘gap’

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Reportagem do jornal Camberra Times, com informações do instituto australiano de política estratégica (Australian Strategic Policy Institute  – ASPI) discute a necessidade de já se alocar fundos para o projeto dos novos submarinos australianos, para evitar a criação de uma lacuna entre a frota atual e os novos meios.

Segundo os planos da Defesa, uma nova classe de 12 submarinos deverá iniciar sua operação por volta de 2025, e sua construção deverá consumir 36 bilhões de dólares (a nota não especifica se são dólares australianos ou americanos).

Fontes ligadas à Defesa disseram, em ‘off’, que a Marinha Real Australiana está sonhando se espera que o Governo assine o programa ainda neste ano. Mas, se o início da alocação de recursos demorar mais, pode ser repetida uma situação do passado, quando a atual classe Collins substituiu os antigos Oberon após estes darem baixa, entre 1992 e 2003. Isso criou um ‘gap’ operacional e de capacidades de uma década, entre as desativações no início dos anos 1990 e a plena operação dos Collins, 10 anos depois. Além disso, a operação da nova classe vem sofrendo continuamente com insuficiência de tripulantes.

Segundo o ASPI, uma decisão sobre o porte e forma da nova frota deve ser tomada nos próximos dois anos. Mas o problema é que a Defesa, no momento, não tem todas as informações e recomendações necessárias para repassar ao Governo, para que este decida. Até agora, as únicas certezas são de que a propulsão dos meios será convencional e que a construção será em Adelaide. O número exato de submarinos, suas tarefas e seu porte ainda estão por ser determinados, segundo o instituto. Há mesmo discussões sobre considerar uma propulsão nuclear para a classe.

O instituto publicou um interessante estudo chamado ‘The once and future submarine—raising and sustaining Australia’s underwater capability’, com uma discussão histórica sobre a substituição anterior (Oberon por Collins) e o que se pode esperar no futuro, com a baixa dos Collins e a entrada em serviço da nova classe.

Clique aqui para baixar e ler o estudo, em arquivo pdf.

FONTES: Camberra Times e ASPI

FOTO: Royal Australian Navy (Marinha Real Australiana)

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