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Maquete de reator nuclear no Centro Cultural da Marinha em São Paulo - foto Nunão - Poder Naval

vinheta-clipping-navalOs dias são frios e claros na pequena cidade de Halden, no sul da Noruega – menos este ano, na primavera. No dia 10 de março, um domingo, a manhã ficou subitamente nublada no antigo condado de 3 mil anos. E no severo Instituto de Tecnologia da Energia, o IFE, outro fato incomum: o combustível nuclear que vai abastecer o submarino atômico brasileiro funcionou pela primeira vez – como vai funcionar em 2023, quando o navio já estará construído. “Foi emocionante”, define o comandante André Luis Ferreira Marques, do Programa Nuclear de Marinha (PNM).

A façanha dos especialistas saídos de Iperó, na região de Sorocaba, distante 130 quilômetros de São Paulo, não é pequena. “O ensaio científico é sofisticado e exige qualificação impecável da equipe envolvida”, destaca o oficial. O grupo, ligado ao Centro Aramar, preparou o teste durante três meses – embora certas providências e decisões tenham sido tomadas até um ano antes disso. A escolha dos laboratórios de Halden tem a ver com o fato de o Brasil não dispor, ainda, de um bom reator de pesquisa. Só agora o governo federal está providenciando a construção do modelo nacional, destinado a atender necessidades médicas, do setor agrícola e de energia.

Outro fator determinante, é a atitude do governo norueguês em relação ao PNM, identificado em Oslo como “estritamente pacífico”, logo, com acesso ao complexo de experiências e provas.

Para realizar a “qualificação técnica do combustível nuclear”, o nome oficial do exame, foi preciso negociar a compra do urânio a ser utilizado. A aquisição foi feita pela Noruega: um lote pequeno, de 20,2 gramas. O Brasil domina o ciclo do combustível e, sim, tem o material estocado. Todavia, a legislação exige que toda movimentação, saída e entrada no País, seja autorizada pelo Congresso.

A quantidade era pequena e a pressa era grande, uma boa justificativa para o recurso destinado a superar a dificuldade burocrática.

A pastilha de urânio foi desenhada e produzida de acordo com as especificações definidas no CTMSP, o restrito Centro Tecnológico da Marinha, que funciona agregado à Universidade de São Paulo (USP) e mantém o núcleo Aramar, em Iperó. “É um conhecimento limitado, que está sendo desenvolvido no Brasil faz 34 anos”, explica Ferreira Marques. O comandante não estava em Halden, no dia da verificação. Acompanhou o ciclo por meio de relatórios eletrônicos, transmitidos pela equipe.

Maquete submarino nuclear no Espaço Cultural da Marinha no Rio de Janeiro - foto 2 Nunão - Poder Naval

Fórmula 1. Os resultados do teste revelaram que o combustível nuclear poderia fazer o submarino de 100 metros e 4 mil toneladas mergulhar além dos 350 metros, navegar com agilidade esperada e a velocidades na faixa de 50 km/hora. “O combustível de um reator do tipo usado em usinas de geração de energia, trabalha como um caminhão, pesado e forte – o produto criado para abastecer o propulsor de um submarino é um Fórmula 1; rápido, crítico, de respostas imediatas e alto desempenho”, diz o comandante Marques, para quem “todas as metas foram atingidas, e sob condições reais de operação”.

O programa da Marinha avança rapidamente. No Centro Aramar o cronograma apertado corre de forma integrada com o do Pro Sub, focado na construção, em Itaguaí, no litoral sul do Rio de Janeiro, de um estaleiro, uma base, e o primeiro lote de novos submarinos, quatro convencionais diesel-elétricos, e um de propulsão nuclear. A execução está contratada com a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), associada com a para-estatal DCNS, da França, parceira na transferência de tecnologia. Ambos os empreendimentos, o PNM e o Pro Sub, vão receber, ao longo desse ano, R$ 2,5 bilhões. O dinheiro virá do PAC Equipamentos, o Programa de Aceleração do Crescimento que cobre setores da Defesa.

Nos 90 mil metros quadrados que integram a área de Aramar, acabou a fase em que o local era tratado como Sítio da Marinha e, sem dinheiro, as atividades eram limitadas apenas à manutenção dos prédios e à produção lenta das ultracentrífugas, as máquinas que transformam o urânio energeticamente “pobre” no elemento do tipo “rico”, mais vigoroso e adequado à alimentação de reatores (para movimentar navios, o enriquecimento fica no limite de 4%, o padrão do Brasil; para armas, o índice é superior a 90%; o processo nacional é permanentemente inspecionado por agências internacionais).

Depois da entrega da Usina de Gás, a Usexa, em 2012, todas as prioridades estão concentradas na obra do LabGene, o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica. É um conjunto de onze prédios, cinco dos quais ancorados diretamente na rocha de base, capazes de resistir a terremotos, tornados e inundações. Neles, serão exercidas as atividades com elementos radioativos. O LabGene implica o maior contrato do sistema – vai custar R$ 220 milhões. O PNM consumiu, desde 1979, cerca de US$ 1,6 bilhão. Virtualmente suspenso na administração de Fernando Collor de Mello, voltou a atividade em 2007, por decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O valor destinado até 2015 é de R$ 1.040 bilhão em 7 parcelas atualizadas.

Com isso, o LabGene estará pronto para operar em 2016. No conjunto, em meio ao cerrado, a Marinha vai aprender coisas importantes como a montagem e a troca das varas de combustível – e também a técnica de integração entre o reator e sua célula, no navio. A longo prazo o ProSub é ambicioso. Prevê, até 2047, uma frota formidável, com seis submarinos nucleares e 20 convencionais – 15 novos e mais cinco outros revitalizados. O custo estimado de cada navio atômico passa pouco dos 550 milhões. O primeiro sairá por 2 bilhões, consideradas a transferência da tecnologia, e a capacitação do País para projetar essa classe de embarcação militar.

Em março, na outra ponta do programa, a presidente Dilma Rousseff inaugurou em Itaguaí a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas com 57 mil m²de área útil, 45 edifícios e 5 subestações elétricas, Ali serão montados os submarinos. Dilma ganhou rosas e declarou que o Brasil “tem o mérito de viver em paz (…), porém inserido de forma dissuasória no cenário internacional”.

FONTE: O Estado de S. Paulo.

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O presidente da estatal russa United Shipbuilding Corporation, Andrei Dyachkov, declarou ontem (01) que o terceiro submarino estratégico de propulsão nuclear da classe Borei (Projeto 955) começará a fase de provas de mar em junho deste ano, no Mar Branco. O Vladimir Monomakh foi lançado em dezembro do ano passado, e a previsão é de que seja comissionado em 2014.

O primeiro navio do Projeto 955, Yury Dolgoruky, foi comissioado à Frota do Norte em janeiro deste ano, e o segundo, Alexander Nevsky, deve ser entregue até o fim de 2013, segundo informaçõs concedidas pela Marinha russa à RIA Novosti.

O Alexander Nevsky está em fase de provas de mar desde 2012 no estaleiro Sevmash. Os testes deste ano serão combinados com os dos mísseis balísticos Bulava, desenvolvidos para serem o sistema de armas principal da classe Borei. Os quatro primeiros submarinos levarão 16 mísseis cada um.

O estaleiro Sevmash deve começar ainda este ano a construção de dois navios do projeto modernizado (955A), o Alexander Suvorov e o Mikhail Kutuzov, capazes de transportar 20 mísseis Bulava. A previsão é que os oito submarinos nucleares sejam entregues à Marinha russa até 2020.

A classe Borei se tornará a peça-chave da força de submarinos russa, e substituirá as classes Typhoon (Projeto 941), Delta-3 e Delta4 (Projeto 667), já obsoletas.

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FONTE: RIA Novosti (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

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Um oficial da Marinha russa declarou na última sexta-feira (22) à agência de notícias RIA Novosti, que o segundo submarino de propulsão nuclear da classe Borei (Projeto 955) será entregue à Força até o final deste ano.

“A Marinha pretende colocar o Alexander Nevsky em serviço antes do fim do ano. Tudo está indo conforme o planejado”, declarou o oficial ao comentar relatórios atestando que a embarcação só estaria pronta em 2014.

O submarino da classe Borei está em fase de provas de mar desde 2012 nas instalações do estaleiro Sevmash. De acordo com o oficial da Marinha, mais provas estão previstas para este ano, e também serão realizados testes com o míssil balístico Bulava lançado a partir do navio. Um porta-voz do estaleiro também confirmou à RIA Novosti que a embarcação será entregue à Marinha até o fim de 2013.

O Alexander Nevsky é o segundo submarino do projeto 955. O primeiro, Yury Dolgoruky, foi comissionado na Frota do Norte em janeiro passado, e o terceiro, Vladimir Monomakh, foi lançado em dezembro de 2012 – a previsão é que entre em serviço em 2014. Os primeiros navios da classe Borei serão capazes de transportar 16 mísseis Bulava. A Rússia planeja construir oito submarinos da classe até 2020.

O estaleiro Sevmash deve começar ainda em 2013 a construção de duas embarcações do Projeto 955A, uma atualização do atual 955. O Alexander Suvorov e o Mikhail Kutuzov serão capazes de transportar 20 mísseis balísticos cada um. A classe Borei deve se tornar o elemento principal da força de submarinos russa, substituindo os já obsoletos Projeto 941 (classe Typhoon) e 667 (classes Delta-3 e Delta-4).

FONTE: RIA Novosti (tradução e adaptação do Poder Naval a partir de original em inglês)

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vinheta-clipping-navalA inauguração da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem) faz com que o Brasil entre no seleto grupo de países que têm submarinos de propulsão nuclear, e que integram o Conselho de Segurança das Nações Unidas. A avaliação foi feita pela presidenta Dilma Rousseff, nesta sexta-feira, em cerimônia de inauguração da fábrica que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e reaquece a indústria naval brasileira.

“Nós podemos dizer, com orgulho, que essa obra, ela é produto da iniciativa de várias, de múltiplas instituições privadas e públicas. Podemos dizer que, de fato, com ela nós entramos no seleto grupo que é aquele dos integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – únicas nações que têm acesso ao submarino nuclear: Estados Unidos, China, França, Inglaterra e Rússia”, disse.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, que participou da solenidade, endossou o discurso da presidenta Dilma. Amorim lembrou que o Brasil tem incrementado sua indústria de defesa e, como resultado, o setor tem proporcionado a geração de milhares de postos de trabalho. O ministro lembrou também a recente vitória da Embraer para a venda de aviões Super Tucano aos Estados Unidos.

“Estamos todos emocionados em poder estar aqui numa obra que é símbolo desse Brasil que está sendo criado”, afirmou.

Submarinos

A presidenta Dilma iniciou o discurso informando que estivera no mesmo local há três anos, e que naquele instante “era um momento especial para todos nós – naquela época eu era ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, durante o governo do presidente Lula”. E lembrou: “De lá para cá, toda essa fantástica estrutura foi construída, e aqui neste lugar se erigiu um projeto que é muito importante para o Brasil.”

prosub_pequena2E continuou: “E eu me refiro tanto à unidade de fabricação de estruturas metálicas que está nesse momento sendo inaugurada, como a toda a infraestrutura construída aqui nessa região. Foram três anos e, por isso, é muito importante que a gente dirija uma saudação especial à Marinha do Brasil, aos seus oficiais, a todos aqueles da Marinha que contribuíram para que isso, junto com o Ministério da Defesa, ficasse de pé.”

No discurso, Dilma Rousseff enfatizou a parceria com o governo fluminense e o empenho da Odebrecht, que ergueu a estrutura física da obra. “Junto com o programa nuclear da Marinha, nós estamos vendo que aqui também se cria um polo de referência. Um polo de referência baseado nesse contrato que nós firmamos com a França em dezembro de 2008. E esse contrato tem por objetivo garantir a transferência de tecnologia e a formação de profissionais brasileiros na construção de submarinho”, contou.

A presidenta também fez menção ao desenvolvimento da indústria nacional. “Eu gostaria de louvar um fato que é muito importante: uma indústria da defesa, como disse o ministro Celso [Amorim], é uma indústria da paz. Mas eu acho que a indústria da defesa é, sobretudo, a indústria do conhecimento. Aqui se produz tecnologia, aqui tem também um poder imenso de difundir tecnologia”, afirmou.

Segundo Dilma, o fato de o Brasil viver em paz com seus vizinhos e de não se envolver em disputas bélicas não afasta a noção de que o mundo é complexo. Esse cenário exige do país a capacidade de se inserir no contexto internacional de forma cada vez mais pacífica e dissuasória.

“Todos nós temos consciência, no entanto, que o mundo é um mundo complexo. O Brasil assumiu, nos últimos anos, uma grande relevância. Um país como o Brasil tem esse mérito de ser um país pacífico. Isso não nos livra de termos uma indústria da defesa e temos toda uma contribuição a dar na garantia da nossa soberania, e nos inserirmos cada vez de forma mais pacífica e dissuasória preventivamente no cenário internacional”, disse.

Cerimônia

Logo pela manhã, era intensa a movimentação nas imediações da Nuclebrás. Pessoas chegavam apressadamente para participar da cerimônia de inauguração da Ufem. Políticos, empresários e operários se movimentavam. Tropas da Marinha circulavam pelo local para ordenar o fluxo de pessoas.

prosub3Em poucas horas, o pátio central da unidade fabril estava tomado pelo público, que aguardava a chegada da presidenta Dilma e das demais autoridades. O ato foi iniciado com a saudação do prefeito de Itaguaí (RJ), Luciano Mota, que destacou a importância do empreendimento para o desenvolvimento econômico do município.

Coube ao comandante da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, elencar as características do programa de construção de submarinos naquela base.  O empreendimento iniciado em 2011 prevê investimentos de R$ 7,8 bilhões e deve estar concluído em 2017, quando entrará em operação o primeiro dos quatro submarinos convencionais. O PROSUB vai empregar 9 mil pessoas e produzir outros 32 mil postos de trabalho indiretos.

O governador do Rio, Sergio Cabral, destacou em discurso a importância da parceria com o governo federal e disse que os resultados permitem alavancar a economia fluminense. Ao término do evento, os jornalistas presentes visitaram as obras de Itaguaí.

FONTE: Ministério da Defesa

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 Prosub Itaguaí 037a

vinheta-clipping-navalO Brasil está mais perto de ter seu submarino nuclear, um projeto dos militares há 40 anos. Se tudo andar conforme o cronograma da Marinha do Brasil, o SNBR, sigla para Submarino Nuclear Brasileiro, estará navegando em 2025. Hoje será inaugurada em Itaguaí, no Rio de Janeiro, a unidade de produção de onde sairão seus componentes internos e dos outros quatro submarinos convencionais que vão substituir a atual frota.

A presidente Dilma Rousseff inaugura hoje de manhã a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem), iniciada em 2010. Trata-se de uma fábrica grande, com um galpão de 40 metros, 90 mil m2, sendo 53 mil m2 de área construída. Fica a três quilômetros da Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Nuclep constrói os cilindros do casco, a parte do submarino onde ficam os tripulantes. Enquanto a Nuclep fabrica o corpo do submarino, a Ufem faz as estruturas mais leves e internas – os convés, as anteparas, as bases da tubulação e dos equipamentos além da proa e da popa.

O processo de construção dos submarinos acontece simultaneamente em várias unidades. A intenção é que cada um deles fique pronto em cinco anos, o prazo para que não estejam logo obsoletos, explica o almirante Alan Paes Leme Arthou, gerente do projeto e construção da base e do estaleiro de Itaguaí. O primeiro dos quatro submarinos convencionais – a família dos SBR que terá nome das batalhas navais da Guerra do Paraguai-, deve ficar pronto em 2015. Permanece dois anos em teste e será entregue em 2017. O segundo será entregue 1,5 ano depois e assim por diante até que o quarto fique pronto em 2020.

Cada um dos submarinos convencionais custa € 500 milhões (quase R$ 1,3 bilhão). Substituirão a frota existente, de cinco submarinos (Tupi, Tamoio, Timbira, Tapajó e Tikuna), com vida útil entre 25 e 30 anos e baseados em projeto alemão. A nova família tem cinco metros a mais que os franceses Scorpène, da Direction des Constructions Navales et Services (DCNS). Ali cabem 40 tripulantes.

O submarino nuclear, que será batizado de Álvaro Alberto (homenagem ao militar que introduziu a energia nuclear no Brasil), é bem maior e custará € 2 bilhões (R$ 5,19 bilhões). São cem tripulantes.

O projeto em curso pela Marinha inclui três frentes – a que vai construir o submarino nuclear, a que construirá os quatro submarinos convencionais e as instalações para fazer tudo isso. O plano prevê a construção do estaleiro e de uma base naval. O chamado Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) é o maior contrato militar internacional do Brasil – são € 6,7 bilhões (ou R$ 17 bilhões). Parcela desses recursos para o projeto de defesa brasileiro faz parte de um financiamento a ser pago pelo Brasil em 20 anos, até 2029, a um consórcio formado pelos bancos BNP Paribas, Societé Generale, Calyon Credit Industriel et Commercial, Natixis e Santander.

Cerca de 70 brasileiros estiveram nos estaleiros da DCNS, em Cherbourg, para transferência de tecnologia e capacitação. Uma empresa formada pela DCNS e pela Odebrecht, de propósito específico, constrói a base naval e o estaleiro em Itaguaí.

O projeto de construção dos submarinos faz parte de um acordo entre Brasil e França assinado em setembro de 2009 entre os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy. A França não passa ao Brasil a tecnologia da propulsão nuclear. “Ninguém, no mundo, fornece tecnologia para enriquecer urânio, que é o combustível do submarino nuclear”, diz o almirante. O Brasil já enriquece urânio desde 1985.

Hoje meia dúzia de países têm submarinos nucleares: Estados Unidos e Rússia (já tiveram cerca de 170 cada e agora possuem 70), Inglaterra e França (dez cada), e China (com quatro). A Índia também tem um projeto, como o Brasil.

O almirante Arthou dá uma ideia da complexidade de se fazer um submarino nuclear. “É o bem mais complexo que se pode produzir no mundo”, diz. Um carro tem cerca de 3 mil peças, um avião caça, 100 mil. Um avião comercial de última geração, 150 mil peças. Na Challenger são 180 mil peças. “Um submarino nuclear tem entre 800 mil a 900 mil peças, dependendo do projeto.”

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

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A Coreia do Sul e os Estados Unidos lançaram um exercício naval conjunto nesta segunda feira. Um porta-voz do ministério da Defesa da Coreia do Sul confirmou que a operação de três dias estava ocorrendo no Mar do Leste (conhecido também como Mar do Japão) próximo ao porto sul-coreano de Pohang.O exercício acontece em meio à escalada das tensões na península coreana desencadeada pelo teste nuclear que a Coreia do Norte pretende realizar.

Participam das manobras o submarino nuclear USS ‘San Francisco‘ e o cruzador USS ‘Shiloh‘ (CG-67), armado com o sistema de mísseis Aegis. O contingente sul-coreano é de dez navios, incluindo um contra-torpedeiro também equipado com mísseis Aegis, uma corveta e submarinos a diesel Tipo-214. Também foram mobilizados aviões e helicópteros para vigilância.

Embora oficiais sul-coreanos tenham ressaltado que a operação foi agendada antes das ameaças do Norte, a presença do submarino norte-americano tem sido considerada como um aviso para Pyongyang. A Coreia do Norte afirmou que o exercício tem natureza “belicosa”.

As informações são da Dow Jones.

FONTE: O Estado de S. Paulo e Naval Open Source Intelligence (adaptação e edição do Poder Naval)

Como oficial da Royal Navy responsável pelo programa de submarinos Astute, eu devo responder às suas afirmações sobre o desempenho e sobre a segurança do HMS Astute (matéria do dia 16 de novembro). Todos os envolvidos na entrega de nossos submarinos têm o dever para com os nossos submarinistas que servem neles em garantir o fornecimento de um ambiente seguro para se viver e trabalhar. Como submarinista também, estou ciente da necessidade de se atingir os padrões de segurança que nós exigimos e estamos empenhados em atingi-los tanto para o HMS Astute como para os demais submarinos da classe.

Eu jamais permitiria que um navio inseguro fosse ao mar e o propósito dos extensos testes de mar que o HMS Astute está realizando testará o submarino de forma progressiva, provando que o projeto é seguro, que ele foi produzido corretamente e que ele é capaz de operar de forma segura e eficaz. Este processo reflete a natureza do HMS Astute tanto como um protótipo como um navio operacional. Nós sempre soubemos que seria necessário identificar e corrigir problemas durante os testes de mar e é isso que temos feito. Todas as questões observadas no artigo ou já foram tratadas ou estão sendo tratadas. Em particular, embora nós não comentemos questões sobre propulsão nuclear, ou sobre a velocidade dos nossos submarinos, posso assegurar-lhe que, uma vez que o HMS Astute esteja operacional, não esperamos que haja qualquer restrição em sua capacidade de realizar plenamente o seu papel de combate que a Marinha Real espera.

Eu convido o ‘Guardian’ a passar um tempo comigo a bordo do HMS Astute para ver em primeira mão o profissionalismo da equipe, a confiança que eles têm em seu barco e do rigor com que os testes de mar são realizados e os problemas são abordados.

Contra almirante SR Lister
Diretor de Submarinos, Ministério da Defesa do Reino Unido

FONTE: The Guardian (tradução e adaptação do original em inglês pelo Poder Naval)

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Na Batcaverna chinesa…

Fonte: Fórum Chines

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Superbélicas verde-amarelas

O Ministério da Defesa fez uma convocação e as maiores empreiteiras do Brasil já asseguraram participação no desenvolvimento da indústria de equipamentos de segurança nos próximos anos. Conforme a Lei 12.958, aprovada em março, os grupos que criarem subsidiárias no setor terão vantagens tributárias e condições especiais para intermediar a incorporação de compras do governo. Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e Engevix, além da Embraer, já entraram no ramo. Os grupos Synergy e Camargo Corrêa negociam com parceiros estrangeiros o ingresso no mercado, no modelo adotado pelos outros grupos.

O Brasil hoje tem importância quase irrisória em um mercado que movimenta US$ 1,5 trilhão por ano no mundo e que, ao lado do setor farmacêutico, detém o maior orçamento global para pesquisa e desenvolvimento. Do setor, historicamente derivam tecnologias usadas no cotidiano, desde o Fusca até a ultrassonografia. Os focos principais do governo hoje são os setores nuclear, espacial e cibernético.

O Brasil já tem empresas com tradição no setor e reconhecidas internacionalmente, como Helibrás, Avibrás e CBC. Mas a maioria é pequena, com menos de 40 funcionários, e tem poder financeiro limitado para competir globalmente. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), só 10% das empresas que venderam ao Ministério da Defesa entre 2008 e 2010 fecharam negócios nos três anos seguidos, “expondo a inconstância das vendas mesmo para seu principal cliente, o Estado”, diz a entidade.

Decreto prevê conteúdo nacional

Ao aproximar essas empresas das empreiteiras, o governo quer criar grupos competitivos com fôlego para sobreviver diante das compras intermitentes das Forças Armadas. Assim, seria evitado que pequenas e promissoras empresas do setor fossem compradas por estrangeiras, como a AEL Sistemas, produtora de suprimentos de energia para satélites, vendida em 2001 para a israelense Elbit Systems.

- As empresas do setor são vulneráveis, porque o mercado é monopsônico: as vendas são só para nós e, quando elas vão exportar, dependem do aval do governo. É um problemaço, porque elas precisam sobreviver e eu compro pouco. Elas têm de partir para parcerias e dualidade (atendendo os setores militar e civil) – disse o general Aderico Visconte Pardi Mattioli, diretor do Departamento de Produtos de Defesa do ministério.

A primeira motivação das empresas para entrar no setor foi a indicação do governo de reaparelhamento das Forças Armadas no fim de 2008. Há hoje um orçamento de compras de R$ 70 bilhões até 2015 e outras dezenas de bilhões são previstas para até 2030.

A Odebrecht foi a primeira gigante a entrar no mercado em um contrato com a Marinha para, junto com a estatal Nuclep, construir o submarino nuclear brasileiro, orçado em R$ 9,6 bilhões. As obras já começaram em Itaguaí (RJ) e o valor envolvido despertou as concorrentes.

Essas empresas estão de olho não só nas obras de engenharia civil, mas também na tecnologia adquirida pelo governo nessas compras e na possibilidade de replicá-la exportando. Por isso, as empresas têm feito parcerias com estrangeiros. A Andrade Gutierrez se associou ao grupo francês Thales e a Engevix se uniu à alemã ThyssenKrupp, enquanto as outras negociam, por exemplo, com BAE Systems, do Reino Unido, e Finmecanica, da Itália. Procuradas, nenhuma das empresas brasileiras atendeu a pedidos de entrevista e algumas se limitaram a confirmar suas ações no segmento.

Pela lei, o governo criou a Empresa Estratégica de Defesa (EED), que terá desoneração equivalente às estrangeiras do setor, além de acesso diferenciado a procedimentos de licitação pelo Ministério da Defesa. Segundo minuta de decreto a que O GLOBO teve acesso, que regulamenta a lei 12.958 e deve ser publicado nas próximas semanas, terão essas vantagens de atuar como “integradoras” das compras do governo empresas brasileiras ou consórcios liderados por grupo nacional. O decreto prevê, ainda, o meio de oferta de condições especiais de financiamento pelo governo, o que está na lei.

O texto prevê o chamado Termo de Licitação Especial, um procedimento mais ágil para as EEDs exigindo delas, por exemplo, percentuais mínimos de conteúdo nacional, comprovação de capacidade inovadora e condição financeira para ter crédito.

Pela Estratégia Nacional de Defesa, que previu em 2008 as diretrizes para a formação da indústria nacional, o governo indica que, fomentando a ação desses grandes conglomerados no setor, o Brasil pode criar grupos capazes de exportar o suficiente para aumentar a balança comercial no futuro. Países periféricos aos grandes produtores de armamento na Europa e nos EUA, como Índia e China, têm investido bilhões por ano em importações para defesa.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), o país tem potencial para, em 2030, exportar US$ 7 bilhões e atender o equivalente a US$ 4,4 bilhões no mercado interno. Em 2009, exportamos US$ 1 bilhão e, as vendas internas foram de US$ 1,7 bilhão.

O almirante Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, vice-presidente executivo da Abimde, disse que o Brasil já é reconhecido internacionalmente por nichos de excelência, como aviação, armas não letais e pistolas. Ele lembra que o movimento trazido agora pelo governo já ocorreu em outros países hoje relevantes no setor.

Falta consenso entre empresas do setor

A estratégia do governo para fortalecer a indústria nacional de defesa, porém, não é consensual entre as empresas brasileiras. Para Jairo Cândido, diretor do Departamento de Indústria de Defesa da Fiesp, o governo não deveria adquirir a tecnologia para só depois decidir como será incorporada à indústria nacional. Para ele, também é “perverso” pôr lado a lado empresas do setor e grandes empreiteiras, sem que elas escolham uma vocação específica para o segmento:

- Aquilo que deveria servir à soberania nacional está virando só oportunidade de negócios, mas não deveria se limitar a isso. Grandes empresas têm muito a contribuir e sou a favor do ingresso delas no setor, mas antes têm de dizer o que farão na área de defesa.

Ter uma indústria de defesa relevante é passo significativo no longo caminho do Brasil em busca de assento cativo no Conselho de Segurança da ONU. Para o almirante Pierantoni, o Brasil ainda conta com a vantagem de não ter histórico de posições questionáveis em conflitos e de ser simpático ao mundo, de uma maneira geral:

- Mais difícil é superarmos o entrave cultural nacional dos militares, porque muitos ainda não vêem o equipamento brasileiro com bons olhos.

‘Haverá união das grandes empresas’

BRASÍLIA – De acordo com o general de divisão Aderico Visconte Pardi Mattioli, diretor do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério, ao aproximar empreiteiras das empresas que já produzem equipamentos para o setor, cria-se um ambiente para desenvolvimento sustentável da indústria nacional de defesa. No ano passado, quando o ministério criou a Secretaria de Produtos de Defesa, as compras deixaram de ser feitas pelas Forças — Marinha, Exército ou Aeronáutica — para serem concentradas na pasta. Assim, tornou-se possível criar uma estratégia para desenvolvimento da indústria.

O GLOBO: Qual o foco principal do governo nas compras de produtos de defesa?

GENERAL ADERICO VISCONTE PARDI MATTIOLI: Todos os nossos produtos devem ter uma capacitação operacional, mas eu tenho um compromisso com o país de aumentar a nossa capacitação produtiva para chegar ao poder de dissuasão. A maioria dos países nunca conseguirá ter uma indústria, mas esse é um diferencial que temos. Eu posso me dar ao luxo de não ter o melhor radar do mundo, mas ter um radar que é meu. O mesmo vale para fuzis ou porta-aviões. Isso muda radicalmente a maneira de ver as coisas.

Formar uma indústria nacional é mais relevante pela visão de soberania ou pelo seu potencial econômico?

MATTIOLI: Não desconectamos a visão do poderio de defesa ao retorno econômico. O dia em que eu dissociar uma coisa da outra, estou perdido. Toda compra que faço fora do país tem de me trazer uma capacitação produtiva. É um mercado de difícil conquista, mas tenho de deixar de importar, produzir aqui e, se possível, exportar, o que contribuirá com meu balanço de pagamentos.

Por que atrair as grandes empresas, principalmente empreiteiras, para o setor?

MATTIOLI: A lei 12.598 deste ano traz a possibilidade de o setor de ciência e tecnologia em defesa poder trabalhar com dispensa de licitação. Assim, você sinaliza algo. A intenção da lei é dar soberania tecnológica para o país. Também a Estratégia Nacional de Defesa demonstra que o governo está se movimentando em satélites, cibernética, entre outras áreas. Eu vejo que haverá uma união de todas as grandes empresas do setor, como ocorreu na Europa. As empresas pequenas não conseguem responder por isso. Além disso, como a produção tem alto valor agregado e não há ativo significativo, qual a garantia para um banco privado ou o BNDES financiar essas empresas?

O Estado não poderia assumir essa função?

MATTIOLI: O Estado ainda tem uma dívida social muito grande, e tenho questionamentos da sociedade civil sobre a prioridade desses investimentos. As empresas, não. Elas entenderam que, tendo musculatura econômica, assumem essas empresas de risco, que hoje estão no vermelho, mas têm um potencial de azul muito grande. Elas assumem a licitação, o grande compromisso, os financiamentos, porque têm musculatura para isso. Essas empresas brotam de movimentos que nós estamos fazendo. Tem que ser uma empresa nacional integradora.

Quanto tempo demora para esse fortalecimento da indústria de defesa?

MATTIOLI: A linha do tempo é longa. A nossa plataforma de defesa teve início quando D. João VI veio com toda a sua capacitação intelectual em 1808. Ele monta uma indústria bélica para voltar para Portugal e se proteger enquanto estivesse aqui. Daí nasce a engenharia brasileira. Hoje, somos fortes em aviões, com uma capacitação que começou nos anos 1950. Se nosso submarino não consegue capacitação sozinho, temos, por outro lado, um terreno fértil (para seu desenvolvimento), porque temos, por exemplo, a possibilidade de uma empresa de construção produzir para ele edificações que não fissurem.

FONTE: Agência Globo, via Yahoo e Extra Globo (reportagem de Danilo Fariello)

O projeto básico de engenharia do primeiro submarino nuclear brasileiro começa a ser desenvolvido a partir do dia 9 de julho deste ano, quando o primeiro grupo de engenheiros brasileiros retorna da França.

A etapa está inserida no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil (MB), iniciado em setembro de 2011, em Itaguaí, no Rio de Janeiro, com a construção dos submarinos convencionais da classe Scorpène, de tecnologia francesa, passo inicial para a construção do submarino movido à propulsão nuclear.

Os 26 engenheiros brasileiros permaneceram um ano e meio na França para estudos e o retorno da equipe marca o início da execução do trabalho em solo brasileiro. Um grupo ficará no Rio de Janeiro e outra parte em São Paulo, junto ao Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP), para integrar informações referentes ao projeto de propulsão. O programa faz parte do acordo firmado com a França em 2008, no valor de R$ 6,7 bilhões, que prevê a transferência da tecnologia para o Brasil.

Gerenciado pela coordenadoria-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (Cogesn), o projeto abrange também a construção de um estaleiro, uma base para submarinos, uma unidade fabril para elementos metálicos, a construção de quatro submarinos convencionais, além da construção do primeiro submarino nuclear. O acordo, entretanto, não inclui componentes nucleares, cabendo à Marinha projetar e construir o seu sistema de propulsão nuclear e integrá-lo à plataforma projetada em conjunto com os técnicos franceses.

Iniciado agora, o projeto de engenharia do submarino terminará em 2015. Em 2016 será iniciada a sua construção em Itaguaí-RJ, com término em 2023, para testes de porto e de mar. Em 2025, o submarino entrará em sua fase operacional. Dessa forma, o país entrará para o seleto clube dos países que dominam a tecnologia da propulsão nuclear. China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia já são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

A reportagem do Cruzeiro do Sul visitou o Centro Experimental Aramar (CEA), em Iperó, em razão da comemoração do aniversário da Sociedade Amigos da Marinha – Soamar Sorocaba, e entrevistou o contra-almirante Luciano Pagano Junior, superintendente do Programa Nuclear do Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP), em São Paulo, sobre os avanços do Programa Nuclear da Marinha (PNM), cujo propósito é dominar a tecnologia necessária ao projeto e construção do submarino com propulsão nuclear.

Alavancando esse processo, duas novas instalações do CEA foram inauguradas recentemente em Aramar: a Unidade Produtora de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), um marco para o país no domínio completo do ciclo do combustível nuclear, e o Centro de Instrução e Adestramento Nuclear Aramar (Ciana), uma espécie de simulador destinado a capacitar os operadores do Laboratório de Geração Núcleoelétrica (Labgene) e as tripulações dos futuros submarinos. Planos futuros da Marinha ainda prevêem que o CEA comporte um Laboratório de Hidrodinâmica (Labhidro) para testes e ensaios da indústria naval.

No próximo mês de maio, a Marinha do Brasil também lança oficialmente em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) a instalação de cursos de engenharia nuclear em Aramar. A assinatura da cessão da área ocorre no dia 16, em São Paulo. Instituição de ensino tem planos futuros de implantar grade curricular também na área naval.

FONTE: Nuclep

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A Rússia finalmente entregou oficialmente à Índia o submarino nuclear Nerpa, cujo acidente em 2008 provocou a morte de 20 técnicos e tripulantes.

A cerimônia oficial da assinatura da entrega foi realizada ontem (quinta-feira) em Bolchoi Kamen (Extremo Oriente russo), onde está atualmente o Nerpa, segundo o Estado-Maior da frota russa.
O K-152 Nerpa, um submarino de ataque de propulsão nuclear classificado pela Otan como “Shuka-B” ou “Akula”, pode levar torpedos e mísseis de cruzeiro.

Uma falha no sistema anti-incêndio em novembro de 2008 provocou a morte de 20 pessoas por asfixia, entre os quais 17 civis do estaleiro no qual foi construído o submarino, quando realizava testes no mar do Japão.

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Guilherme Serodio

Rio – O Brasil pode obter a transferência de tecnologia dos softwares do submarino nuclear que vai construir em parceria com a França. A afirmação é do presidente do Serviço federal de Processamento de Dados (Serpro), Marcos Mazoni. A transferência da tecnologia não está prevista no acordo, mas, segundo Mazoni, os diálogos “estão indo bem nesse sentido” e o Brasil deve obter o acesso aos códigos fonte que controlam o equipamento. “É certo que [o Brasil] consegue”.

Mazoni afirma que o Serpro só entrou na discussão acerca da transferência da tecnologia dos softwares utilizados no submarino no ano passado, quando houve as primeiras reuniões de cooperação técnica com a França na área de supercomputação. A partir daí, os técnicos brasileiros passaram a dar atenção à questão dos softwares do submarino. “Eles dizem que o produto é aberto, nós queremos ver o produto, transferir conhecimento”, diz Mazoni.

Ter acesso ao códigos dos softwares, afirma o presidente do Serpro, é fundamental para saber como o submarino funciona. Os militares brasileiros, diz Mazoni, estão preocupados com a transferência de conhecimento de softwares dos equipamentos que adquire. “Nós temos uma boa parceria com o Ministério da Defesa e, hoje, a própria marinha e o Exército brasileiros estão bastante avançados, inclusive no [uso] de software de código aberto”, diz.

Esse tipo de preocupação na área de segurança não é exclusividade do Brasil, afirma Mazoni. Um exemplo, diz ele, é o exército alemão, que só compra equipamentos eletrônicos com softwares de código aberto. “[Na Alemanha] as Forças Armadas não usam produtos vindos dos Estados Unidos”.

Para Julio Neves, assessor da presidência do Serpro, “software livre também é soberania”. Ele exemplifica a importância de se ter livre acesso aos códigos de equipamentos militares com um caso da Guerra do Golfo, ocorrida na década de 90. Durante o bombardeio do Iraque por forças americanas, um vírus instalado nos sistemas de radares de defesa iraquianos apagou as telas dos equipamentos. Sem conseguir ver os aviões inimigos nos radares, os militares iraquianos ficaram sem defesa contra o bombardeio. Segundo Neves, acredita-se que “os equipamentos já foram comprados com o programa”.

Outro caso famoso ocorreu durante a Guerra das Malvinas, entre a Argentina e o Reino Unido. No conflito que durou de abril a junho de 1982 os militares argentinos atacaram as embarcações inglesas com o míssil anti-navio francês Exocet. Após o primeiro afundamento, a França entregou aos ingleses o código que permitia que os mísseis fossem guiados por ondas de rádio, diminuindo a eficiência dos ataques argentinos.

O acordo entre Brasil e França para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da marinha, orçado em € 6,7 bilhões. Além do equipamento nuclear, o programa prevê a construção de quatro submarinos com tecnologia francesa. Os equipamentos serão fabricados no Brasil com supervisão francesa. O acordo prevê transferência de tecnologia.

Com a construção do equipamento, o Brasil entrará no restrito grupo de países capazes de projetar, construir e operar submarinos de propulsão nuclear. Atualmente, apenas Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China têm tal capacidade.

Sobre os planos do governo brasileiro em adquirir 36 novos caças para a Força Aérea, Mazoni assegura a cooperação do Serpro: “Vamos estar juntos”. O presidente do Serpro participou do Cyber Security International Forum, realizado ontem no Rio.

FONTE: Valor Econômico, via MB

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O mais novo submarino nuclear da Royal Navy, HMS Astute, disparou seu primeiro míssil TLAM (Tomahawk Land Attack Missile) num teste no Golfo do México. O Tomahawk é um míssil de cruzeiro, com alcance de mais de 1.000 milhas.

Adiado cronograma de conclusão do submarino nuclear

Carlos Araújo

A Marinha do Brasil adiou mais uma vez o cronograma de conclusão do primeiro submarino nuclear brasileiro. Desta vez, para 2022/2023. Após fase de testes de mar e todas as avaliações técnicas, sua entrada em operação no oceano é prevista para 2025. As novas datas foram divulgadas ontem pelo comandante do Material da Marinha, almirante-de-esquadra Arthur Pires Ramos, durante visita do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), ao Centro Experimental Aramar, na cidade de Iperó, a 15 quilômetros de Sorocaba. Desde a década de 1980, quando Aramar foi inaugurado (8 de abril de 1988), a Marinha trabalhou com sucessivas datas para a conclusão do submarino: 1995, 2000, 2005, 2006 e 2007.

Nos últimos anos, a projeção tinha sido estendida para 2020 e 2021. Em relação ao novo período, são trinta anos de atraso no cronograma do submarino. “Eu não só acredito, como tenho certeza de que (o submarino) vai sair do papel”, disse Ramos. Temer, quando perguntado sobre quando acredita que o País terá o submarino nuclear em funcionamento, declarou: “Se Deus quiser, dois mil e logo. Quanto mais nós investirmos nessa tecnologia e nesse desenvolvimento, tanto melhor para o Brasil.”

O diretor-geral do Material da Marinha (setor ao qual Aramar é vinculado e que cuida de submarinos, porta-aviões, aeronaves, navios de superfície) acrescentou: “Todo o processo de pesquisa e desenvolvimento envolve um grande risco. Tudo o que é pesquisado, a pesquisa de ponta pode dar certo e pode não dar certo, é inerente à pesquisa. E como esse empreendimento é típico de pesquisa e desenvolvimento, podem ocorrer eventualidades não previstas. Entretanto, o nosso projeto já ultrapassou o ponto de não retorno. Ele agora vai até o fim. E certamente os processos que já estão dominados levarão ao ciclo do combustível completo e ao desenvolvimento e construção do submarino”. Ramos deixou claro que a visita de Temer a Aramar traz ao empreendimento o “prestígio” que ele representa e isso, na sua expectativa, poderá acelerar o programa nuclear da Marinha.

Atualmente, Aramar atravessa “uma ocasião favorável” e “a pleno vapor”, segundo definições de Ramos, por conta de recursos anunciados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2007 e que são da ordem de R$ 1,040 bilhão num período de 8 anos — o equivalente a repasses em torno de R$ 135 milhões ao ano. Ramos disse que “em princípio” não há intenção de pedir recursos adicionais ao governo federal, “a menos que se deseje acelerar ainda mais o programa (Aramar)”. Esclareceu que a “agilização” do programa nuclear da Marinha não diz respeito apenas a recursos financeiros: “Nós temos que ter capacitação, é um projeto de ponta, é a fronteira do conhecimento e nós precisamos de capacitação, gente capacitada, para poder agilizar cada vez mais.”

O submarino será um gigante de 9.200 toneladas e 110 metros de comprimento. O programa nuclear da Marinha para atingir esse objetivo foi iniciado em 1979, pelas mãos do vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, atualmente na reserva, até 2010 consumiu recursos da ordem de US$ 1,4 bilhão. Para a conclusão do programa, segundo a Marinha, são necessários investimentos de mais R$ 1,3 bilhão.

“Impressionadíssimo”

Após chegar em Aramar às 11h05, Temer ouviu uma exposição sobre o programa nuclear da Marinha. Terminado esse primeiro contato, em entrevista coletiva, ele disse: “Fiquei impressionadíssimo com a exposição que acabaram de fazer. O avanço tecnológico brasileiro é uma coisa extraordinária.” Ele acrescentou que não conhecia Aramar, este era um velho sonho e adiantou que sairia dali “sensibilizado”: “Isto pode fazer com que nós venhamos advogar um pouco a causa, que é dos recursos para esse projeto, não tem dúvida disso. Saímos daqui com a convicção de que nós vamos trabalhar nessa direção”. Sobre se a Marinha pediu mais recursos além do que tem recebido, o vice-presidente disse: “Pelo que eu ouvi da exposição é claro que os recursos adicionais são sempre bem-vindos e são sempre pleiteados. A Marinha não chegou a pedir, mas sugeriu (recursos adicionais).”

Temer admitiu que o programa de produção de um submarino nuclear também fortalece a soberania brasileira. Ele informou que “concretamente” o governo vai investir muito na área de ciência e tecnologia, independentemente das necessidades em outros programas para serem enfrentados, o que inclui questões sociais. Na sua análise, o setor de reatores nucleares exige mão de obra qualificada e especializada: “Nesse quadro de reatores nucleares não há dúvida de que ela (mão de obra) é especializadíssima.”

Ramos afirmou que Aramar traz uma série de benefícios à população: “Benefícios sociais, do tipo aumento da demanda por empregos, aumento da riqueza da região, e traz também benefícios indiretos como isótopos para a medicina, projetos de qualidade em meio ambiente, enfim, a população certamente é beneficiada com a presença do projeto nessa região.” Ao chegar em Aramar, Temer tinha programação para ficar ali até 15h. Desembarcou no aeroporto de Sorocaba e seguiu de helicóptero para Aramar. Estava acompanhado do comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto, dos deputados federais Gabriel Chalita e Edinho Araújo, ambos do PMDB, e do ex-prefeito de Sorocaba e ex-deputado federal Renato Amary (PMDB).

O vice-presidente visitou em Aramar as seguintes unidades: Oficina Mecânica de Precisão (Ofmepre), Usina de Hexafluoreto (Usexa), Laboratório de Teste da Propulsão (Latep), Oficina Mecânica de Equipamentos (Ofmeq) e o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI).

FONTE: Jornal Cruzeiro do Sul

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Há 57 anos….

Em 30 de setembro de 1954, o USS Nautilus (SSN-571) foi comissionado na US Navy, sob o comando do Capitão-de-Fragata (CDR) Eugene P. Wilkinson.

Em julho de 1951, o Congresso dos EUA autorizou a construção de um submarino de propulsão nuclear, que foi seguido pelo anúncio em 12 de Dezembro de 1951, que o submarino seria batizado de Nautilus, sendo o quarto navio da Marinha dos EUA a ostentar este nome.

A construção do Nautilus só foi possível graças ao êxito do desenvolvimento de uma planta de propulsão nuclear, por um grupo de cientistas e engenheiros do Naval Reactors Branch of the Atomic Energy Commission, sob o Comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra (Captain) Hyman G. Rickover, USN.

FONTE e FOTOS: Submarine Force Museum and USS Nautilus

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A Marinha dos EUA já começou a construção do seu 13° submarino da classe “Virginia”, o SSN-787, marcando a construção de dois submarinos da mesma classe no mesmo ano, após 22 anos.

O gerente do Programa da classe “Virginia”, contra-almirante (sel.) Michael Jabaley, disse: “Nossa equipe tem diligentemente reduzido o custo e o tempo de construção desses submarinos para chegar a esta marca de dois submarinos por ano.”

“Construir dois submarinos por ano é a maneira mais econômica de adquirir esses navios e ajudará a assegurar que nossa força de submarinos tenha as plataformas que necessita para desempenhar as suas várias missões”, acrescentou.

Projetado para missões de mar aberto e litoral, o submarino da classe “Virginia” é um submarino nuclear de ataque e está previsto para substituir a a classe “Los Angeles” de submarinos.

No dia 22 de agosto, o Ministro da Defesa, Celso Amorim, realizou sua primeira visita as obras da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) e do Estaleiro e Base Naval de Submarinos (EBN) da Marinha, em Itaguaí (RJ).

Acompanhado do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, do Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante de Esquadra Arthur Pires Ramos, e de membros do Almirantado, dentre outras autoridades, o Ministro da Defesa conheceu as futuras instalações do empreendimento, que possibilitarão a construção de submarinos convencionais e do submarino com propulsão nuclear.

Durante a visita, a comitiva assistiu as apresentações da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN) e da Construtora Norberto Odebrecht, sobre o andamento das obras e os prazos previstos para prontificação. Em seguida, as autoridades visitaram os canteiros da UFEM e as áreas norte e sul do EBN. Ainda na parte sul, embarcaram em lanchas, para conhecer a área marítima e os serviços de dragagem que estão sendo realizados.

A visita dá início ao Programa de Visitas do Ministro da Defesa à Marinha do Brasil, este ano, destacando importante aspecto da Estratégia Nacional de Defesa.

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